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quinta-feira, julho 03, 2014

Paradise, de Ellen Sussman


A história começa com uma viagem ao paraíso. Ao ser enviada para trabalhar como guia turística em Bali, uma ilha da Indonésia, Jamie só pensa em passar os dias mais felizes de sua vida ao lado do namorado, aproveitando as praias virgens e explorando as florestas. No entanto, após três dias de sua chegada, ela e seu parceiro se tornaram vítimas de um atentado terrorista na boate local. Seu namorado perde a vida, e Jamie, a esperança de felicidade.

Depois de um ano, ainda transtornada pelas lembranças, Jamie decide retornar a Bali para tentar fechar esse ciclo em sua vida. Mais que tudo, ela espera encontrar Gabe, o homem que a salvou do ataque. Nesta viagem ao passado, Jamie conhece Nyoman, seu simpático anfitrião, que a hospede no acolhedor e relaxante Paradise, um bangalô incrustado numa paisagem estonteante.

Mesmo preparada para se arriscar nos grandes perigos da natureza selvagem de Bali, ela ainda precisa estar pronta para o maior desafio de todos: dar uma nova chance ao amor.



Um belo livro.
Jamie é uma guia de turismo de aventura norte-americana, sobrevivente de um terrível atentado terrorista em Bali. Um ano após o ocorrido ela está de volta àquele lugar. O motivo oficial é a cerimônia em homenagens às vítimas da tragédia, mas a verdadeira motivação de Jamie é muito do que isso.
Ela precisa reencontrar. Reencontrar a si mesma, reencontrar a coragem perdida, reencontrar Gabe, o homem que a salvou naquela noite.

Assim com Jamie, Gabe também é um sobrevivente, mas de uma tragédia pessoal. Seu mundo, sua vida nunca mais seria a mesma depois da perda do único filho. Gabe e Jamie sofrem com a dor de suas tragédias, ambos se sentem culpados, como se, de alguma forma alguma de suas ações pudesse ter ocasionado tanta dor.

Há um ano , Jamie estava viajando com Miguel, seu namorado. Miguel não sobreviveu. É muito fácil para Jamie, ainda mais dentro das circunstâncias da morte de Miguel , se sentir culpada. E se...

Paradise fala sobre segunda chance, superação e, principalmente, sobre seguir em frente. Mas seguir em frente enfrentando os próprios demônios.

A autora nos mostra uma bela história sobre “ultrapassar” tragédias. Claro que é impossível esquecer tudo o que acontecer, mas é preciso seguir em frente; aprender a viver de novo; é preciso saber amar novamente e, principalmente, deixar-se amar.

Paradise mostra uma Bali um pouco diferente daquela a que estamos acostumados a ver em livros e programas de turismo. Muito além das belezas naturais, a Bali aqui é a Bali dos Balinenses, das crenças, dos costumes- e da tentativa de seguir em frente.

O estilo da autora é direto mas em nenhum momento, simplista; ela não apresenta soluções fáceis ou maniqueístas nem vitimiza os personagens. A dor não os torna perfeitos.

Paradise é uma leitura rápida e eu diria leve, até, mas que faz pensar. Ao final da leitura, deixa uma sensação gostosa na gente.

Vale a Pena a Leitura!

PS: bem que poderia ter um epílogo, né?!


Título Original: Paradise Guest House
Autor: Ellen Sussman
Editora: Casa da Palavra
Gênero: Drama
Sub-Gênero/Assunto: Romance Contemporâneo, Reencontro, Segunda Chance, Superação,
Período: 2002-2003. Bali.
Outras Capas:



4/5

terça-feira, maio 27, 2014

Todas as coisas visíveis e invisíveis, de Marcia Peltier


'Todas as coisas visíveis e invisíveis' fala sobre a dor da perda; os sentimentos de uma mulher que é mãe, filha e esposa; os insights espirituais; a morte; a fé; a própria identidade; a singela alegria de existir. São memórias que, costuradas por linhas visíveis e invisíveis, apresentam a mulher em sua totalidade. Surpreendente e corajoso, é um livro que desafia leitores a assumirem todas as facetas de suas vidas.

Um livro de- e sobre- emoções.
Todas as coisas visíveis e invisíveis é uma coletânea de pensamentos aleatórios que, de alguma maneira, fazem sentido. Existem livros que são difíceis de serem resenhados, ou comentados. Os de ensaios e crônicas estão entre eles, ao meu ver. Especialmente, quando estes ensaios são pensamentos e sentimentos muito íntimos da autora.

Para mim, o livro foi um paradoxo. De um lado, era impossível não se conectar com Márcia, com sua força, sentir a sua dor diante de uma dor que deve ser imensurável. Por outro, me vejo muito distante da Márcia religiosa, regida pela fé.
A autora transmite cada fragmento de texto- e vida- com a mesma intensidade; claro que algumas passagens são mais tocantes mas, de uma forma ou de outra a emoção está impregnada em todas elas.

"(...) Com minha mãe aprendi a coisa mais importante da vida. O valor do amor e de saber perdoar. Sempre."


Eu, particularmente, não sou uma pessoa muito religiosa por isso a conexão dela coma religião me tocou como talvez toque quem seja, mas isso não quer dizer que eu me senti indiferente ao que eu li.

Como eu disse anteriormente, este é um livro difícil de se explicar. É para se sentir.

Vale a pena a leitura.


Título Original: Todas as coisas Visíveis e Invisíveis
Autor: Marcia Peltier
Editora: Casa da Palavra
Gênero: Crônicas
Sub-Gênero/Assunto: Não-Ficção, Família, Religiosidade, Memórias
Período: Atual e Final do Séc. 20

3/5

terça-feira, janeiro 28, 2014

As Mulheres de Terça-Feira, de Monika Peetz

UMA EMOCIONANTE VIAGEM DE TRANSFORMAÇÃO E AMIZADE PELO CAMINHO DE SANTIAGO. Judith encontra o diário de seu falecido marido sobre uma peregrinação inacabada a Santiago de Compostela. Ela e as quatro amigas se unem para completar a jornada – sem saber o que as espera. O guia de viagem prometia: “A cada passo, uma resposta.” Mas o que aconteceu com as amigas foi o oposto: novas dúvidas surgiam conforme cumpriam o percurso, fazendo-as se ques¬tionarem sobre a vida que levam e as escolhas que fizeram. Kiki, Judith, Estelle, Eva e Caroline se despediram de suas ro¬tinas e famílias para se depararem com um caminho livre, um horizonte amplo e um cenário deslumbrante. Algumas bolhas nos pés, muitas horas para refletir sobre si mesmas e aventu¬ras no decorrer do caminho serão responsáveis por trazer a paz de espírito de que precisavam – e fazer com que tomem as decisões que elas nunca tiveram coragem de tomar. “É extremamente excitante ver a transformação de cada personagem. Um livro alto-astral, sábio e com um senso de humor delicioso.” Kölner Stadtanzeiger Online



Uma ótima surpresa.

Sabe quando a gente não espera muito de um livro mas este acaba nos surpreendendo? Pois é. Foi o meu caso com Mulheres de Terça-Feira. Não que eu tivesse começado a ler o livro já pensando que não ia gostar, mas, eu, apenas não tinha grandes expectativas. E isso foi ótimo. Aproveitei muito mais a leitura.

O livro conta a história de cinco mulheres alemãs, da cidade de Colônia, que partem para a cidade de Lourdes, na França, pelo caminho de Santiago de Compostela.

A ideia da peregrinação veio do diário de viagem do recém falecido marido de uma delas (Judith), que pretende com essa viagem, fazer uma última homenagem ao esposo.

Kiki, Caroline, Eva, Estelle e Judith se conheceram à 15 anos atrás em um curso de Francês. Nenhuma delas terminou o curso, mas a amizade continuou e, toda as terças-feiras, elas se reúnem para almoçar um restaurante de Colônia. Elas são diferentes entre si e talvez por isso- e apesar disso- a amizade é forte.

Kiki é uma mulher de 35 anos que parece que ainda não cresceu; sempre à espera da “grande oportunidade”. Caroline é a super advogada, com o “casamento perfeito”. Eva é a ex- médica que abandonou a carreira em prol do marido e dos filhos. Estelle é a dondoca e milionária da turma e Judith... Sem filhos e agora sozinha, ela se vê perdida.

Quando Judith tem a ideia de fazer o Caminho de Compostela até Lourdes (onde seu marido esperava receber uma graça), as amigas logo se propõem a acompanhá-la.

Como tantos livros (e filmes!) com/sobre o mesmo tema, As Mulheres de Terça-Feira fala sobre amizade e descobertas. Porém, engana-se quem pensa que se trata de um livro de auto-ajuda. Não é “ensinado”nada, nem existem lições de moral. O livro é tampouco sobre religião. A religião está presente, é claro, até porque a ação se passa no Caminho de Santiago e o destino final é Lourdes , porém, ela é vista de maneira diferente por cada personagem. Cada um tem a sua fé individual. O importante não era realmente acreditar no milagre de Bernadette ou no aparecimento da Virgem, mas chegar até Lourdes.

Eu gostei muito que a autor não usou ideias pré-concebidas de “ensinamentos” ou doutrinas.

O livro é a viagem de quatro de amigas. O livro é sobre estas quatro amigas e como aquela viagem pode mudar tudo.
Cada uma tem sua peculiaridade e vamos sabendo mais a respeito no decorrer da caminhada. Devo destacar Eva com a que mais se transforma durante a viagem. Ou a que volta a ser o que era, após longos anos. De início ela parece uma mulher frágil, alquebrada, sem vida própria, mas com o decorrer dos quilômetros (ou páginas), eu fui me surpreendo com ela.

Confesso que não gostei de Judith. Nem um pouco. Achei ela uma baita de uma má agradecida; Em nenhum momento ela agradece as amigas por estarem a acompanhando e depois quando algumas verdades são reveladas...argh! Gostei ainda menos da personagem.

O ponto negativo ficou em relação à Estelle. Eu adorei a dondoca de bom coração, porém achei que a personagem, comparada às outras, foi muito pouco desenvolvida. Senti como se ela tivesse sido deixada de lado. Uma pena, pois as melhores falas são dela.

Com capítulos curtos e texto enxuto, As Mulheres de Terça é uma leitura rápida, leve e prazerosa. Em nenhum momento a leitura se torna chata ou enfadonha.Muito pelo contrário. Eu normalmente tenho dificuldade em me conectar com personagens de livros com múltiplos protagonistas,porém, isto não aconteceu aqui. Todas elas mexeram comigo de algum jeito.

Além do drama das amigas, o livro ainda apresenta as paisagens daquela região da França e, por consequência, do Caminho de Compostela, seus peregrinos, albergues e hotéis. É algo muito interessante, mas devo confessar que, se eu já não tinha vontade de fazer o Caminho, agora é que eu não tenho mesmo. (Banho, eu te amo muito pra viver longe de ti!)


Ao final da última página, eu já estava com saudades destas mulheres.



Recomendo!

**
Ao que parece existe um filme alemão baseado no livro.


Título Original: Die Dienstagsfrauen
Autor: ‘Monika Peetz
Editora: Casa da Palavra
Gênero: Romance Contemporâneo
Série: As Mulheres de Terça-Feira- Livro 1
Sub-Gênero/Assunto: Amizade, Viagem,
Período: Atual. Alemanha e França
A Série:
Eu nem sabia que o livro tinha continuações até olhar no Goodreads. Espero que a editora as lance no Brasil.

Livro- Mulheres de Terça-Feira
Livro 2-Sieben Tage ohne
Livro 3- Die Dienstagsfrauen zwischen Kraut und Rüben

Capa Original:
A capa nacional não é feia, mas acho que ela dá uma idéia errada sobre o livro. Algo mais feminino e sutil, como a capa original alemã teria sido melhor.  


4/5

--
Como eu nunca tinha lido nada da autora (na verdade, ela era totalmente desconhecida para mim), resolvi incluir esta resenha no Desafio New Author.