sexta-feira, julho 29, 2016

[Resenha] O Bicho da Seda - Robert Galbraith


“Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa.
No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo.
E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...
Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor, O Bicho-da-Seda é o segundo livro desta aclamada série protagonizada por Cormoran Strike e pela sua jovem e determinada assistente Robin Ellacott.”



Uma série cada vez melhor.

Eu já tinha gostado de O Chamado do Cuco, mas foi somente com O Bicho da Seda que eu posso dizer, com absoluta convicção, que a série com certeza me fisgou. Se o primeiro livro me deixou com algumas dúvidas, este foi paixão na certa.

Em O Bicho da Seda, o autor soube narrar e tecer os fatos muito bem, mesclando com maestria os dramas dos personagens, os horrores dos fatos e aquela pitada de mistério com ares de livros de outrora. Impossível não se lembrar dos grandes detetives da literatura como Poirot e Sherlock, enquanto testemunhamos as desventuras de Cormoran Strike pelo mundo dos editores, livros e escritores.

Sim, porque é o mundo literário um dos grandes protagonistas de O Bicho da Seda. E um protagonista que não foi pintado com cores muito favoráveis. A partir do desaparecimento de um escrito excêntrico porém medíocre, com mais inimigos do que amigos, somos apresentados ao universo cheio de rancores e futilidades, aonde o talento nem sempre é o mais importante, e amizades são facilmente desfeitas. Com a ajuda cada vez mais sagaz de assistente, Robin, Cormoran pouco a pouco vai descobrindo como um simples caso de desaparecimento se torna algo muito mais complexo.

O Bicho da Seda é narrado de forma linear, mas nada simplista ou óbvio. É uma trama de tensão crescente, no qual o mistério vai surgindo no decorrer das páginas. Apesar de uma forte inspiração na literatura de detive mais clássica, o autor não se deteve apenas no lado “detetivesco” da história; assim, também podemos descobrir um pouco mais de Cormoran como pessoa e, claro, a presença cada vez mais atuante de Robin. Foi ótimo ver como ela cresceu como personagem e não é apenas mais uma coadjuvante à sombra do patrão.

Apesar de ser mais pautado no trabalho de detetive, o livro apresentada algumas cenas bem grotescas, mas apesar de causarem ojeriza, elas são partes cabais da história e não estão ali somente para “chocar”o leitor. É essa percepção que faz a diferença.

O Bicho da Seda é um livro de diálogos e a descrições precisas mas bem desenvolvidas; não é um thriller de consumo rápido. Muito pelo contrário, é um livro de leitura densa mas mesmo assim altamente envolvente. Assim que a gente começa não consegue parar de ler.

Eu só não dei 5 estrelinhas devido à alguns errinhos de grafia e ortografia/gramática.

Recomendo.


Série:

Livro 1- O Chamado do Cuco
Livro 2- O Bicho da Seda
Livro 3- Vocação para o mal

Título Original: The Silkworm
Autor: Robert Galbraith, J.K. Rowling
Editora: Rocco
Gênero: Romance Policial
Série: Cormoran Strike- Livro 2
Sub-Gênero/Assunto: Imperfeições, Crime e Mistério, Detetives, Escritores
Período: Atual. Londres, Inglaterra.

Outra Capa:



4.5/5

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quarta-feira, julho 27, 2016

[Resenha] A Dama da Meia-Noite - Tessa Dare


“Pode um amor avassalador apagar as marcas de um passado sombrio?

Após anos lutando por sua vida, a doce professora de piano, Srta. Kate Taylor, encontrou um lar e amizades eternas em Spindle Cove. Mas seu coração nunca parou de buscar desesperadamente a verdade sobre o seu passado. Em seu rosto, uma mancha cor-de-vinho é a única marca que ela possui de seu nascimento. Não há documentos, pistas, e nem ao menos lembranças…

Depois de uma visita desanimadora para sua ex-professora, que se recusa a dizer qualquer coisa para Kate, ela conta apenas com a bondade de um morador de Spindle Cove, o misterioso, frio e brutalmente lindo, Cabo Thorne, para voltar para casa em segurança. Embora Kate inicialmente sinta-se intimidada por sua escolta, uma atração mútua faísca entre os dois durante a viagem. Ao chegar de volta à pensão onde mora, Kate fica surpresa ao encontrar um grupo de aristocratas que afirma ser sua família.

Extremamente desconfiado, Thorne propõe um noivado fictício à Kate, permitindo-lhe ficar ao seu lado para protegê-la e descobrir as reais intenções daquela família. Mas o noivado falso traz à tona sentimentos genuínos, assim como respostas às perguntas de Kate.

Acostumado com combates e campos de batalhas, Thorne se vê na pior guerra que poderia imaginar. Ele guarda um segredo sobre Kate e fará de tudo para protegê-la de qualquer mal que se atreva atravessar seu caminho, seja uma suposta família oportunista… ou até ele mesmo.”




Uma linda história de amor.

Spindle Cove é uma daquelas séries que vão te conquistando aos poucos. O primeiro livro foi bom mas não espetacular, o segundo eu amei, apesar da história não apresentar muitas surpresas e este...este tem um casal e uma história de amor incríveis. Particularmente, acho que Uma Semana Para se perder o meu favorito, mas foi impossível não se emocionar com a história de A Dama da Meia-Noite.

A Srta Kate Taylor é uma das residentes e a professora de música de Spindle Cove. Kate morou desde os 5 anos de idade em um orfanato e nunca soube (nem conseguiu) se lembrar de sua vida anterior. Com uma marca de nascença no rosto, ela vive uma vida contente na pequena comunidade de mulheres, porém espera mais. Ela quer saber sobre seu passado. Ter uma família. E isso pode finalmente se tornar realidade quando uma excêntrica família aristocrática surge afirmando ser aquilo que ela mais deseja.

Para Kate aquilo era um sonho se tornando realidade, quase que como um conto-de-fadas, porém nem todos estão contentes. Principalmente Cabo Thorne, o frio soldado da milícia do lugar. Ao contrário o que se poderia parecer, através da aparente indiferença dele, existe ali um sentimento de adoração e zelo. Mas mais do isso, ele sabe muito mais do passado de Kate do que ela poderia imaginar.

Awww, tão lindo! Sei que existem milhares de histórias sobre pessoas machucadas, traumatizas mas que encontram a redenção através do amor, mas A Dama da Meia-Noite trata de desses valores por vezes tão clichês de forma sensível e adorável. Kate e Thorne tiveram uma vida de sofrimento e percalços. Thorne não é nem nunca será um homem elegante, da sociedade. Ele não é da aristocracia, mas é nobre. No sentido mais amplo da palavra. O que ele faz- fez- por Kate faz o coração da gente “borbulhar”. É lindo.

Mas também doloroso, porque, assim como tantos outros romances de amor, esses dois sofrem. Ah, como sofrem. Tudo parece ir contra. Até eles mesmos. Eu gostei que Kate não é uma mocinha frágil, que vive se lamentando. Claro que ela
quer uma mudança na vida, mas ela não deixa de viver por causa disso.

O livro fala como o passado não pode ser apagado ou reescrito. De uma forma ou de outra ele continua lá, presente, assim como a mancha que Kate tenta tanto esconder. A questão é enfrentá-lo. E saber conviver com ele.

A Dama da Meia-Noite é uma história de amor em sua plenitude e essência. Bela e forte.

Impossível não se apaixonar.

Recomendo.


Título Original: A Lady By Midnight
Autor: Tessa Dare
Editora: Gutenberg
Gênero: Romance Histórico
Série: Spindle Cove- Livro 3
Sub-Gênero/Assunto: Thriller, Suspense, Homens da Lei, Médicos
Período: Regência, Inglaterra

Série:
Livro 1- Uma Noite Para se entregar
Livro 1,5- Once Upon a Winter's Eve (short Story)- pode ser baixada grátis (em inglês) na Amazon.BR
Livro 2- Uma Semana Para se perder
Livro 3- A Dama da Noite
Livro 3.5-A bela e o ferreiro
Livro 4-Any Duchess Will Do
Livro 4.5-Lord Dashwood Missed
Livro 5-Do You Want to Start a Scandal


Outra Capa:



4.5/5
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segunda-feira, julho 25, 2016

[Resenha] Obsessão - Sandra Brown



“O telefone toca na casa do cirurgião Lee Howell em plena madrugada, após uma festa. Sua presença é requisitada após um grave acidente na estrada, com dezenas de feridos. O que acontece com ele logo em seguida, no estacionamento do Hospital Geral de Fort Worth, no Texas, dá início a uma trama repleta de suspense, violência e algumas generosas doses de erotismo. Rennie Newton, a cirurgiã que substitui o Dr. Howell num cargo de chefia no hospital, é vista como suspeita, embora nada se prove contra ela. Excelente profissional, atenciosa e responsável, a médica, no entanto, tem um passado que revela uma adolescência complicada. A autora mantém o passado da Dra. Newton como uma mancha em seu caráter por todo o livro, mas no final começa a revelar o que se esconde neste mistério tão bem guardado.”


Bom, mas poderia ser melhor. Bem melhor.

Sandra Brown é uma das poucas autoras que eu compro/leio um livros sem antes ler a sinopse mentira, eu sempre leio a sinopse antes, mas no caso dela, mesmo se sinopse não chamar muito a minha atenção, eu quero ler mesmo assim.) Por isso, mesmo com a medonha capa brasileira eu queria ler Obsessão. O livro tem aquela boa mistura de romance e suspense, mas deixou um leve sabor de decepção.

Como o próprio título já diz, Obsessão fala da fixação de Lozada, um assassino de aluguel, por Rennie Newton, uma jovem e bela médica. Rennie havia sido jurada em um julgado no qual Lozada era réu- e saiu livre. De uma forma um pouco (bastante) perturbada, ele passou a acreditar que os dois estavam destinados um ao outro. E ele faria tudo por ela. Até mesmo matar um rival do trabalho.

Wick Threadgill é um policial afastado da corporação que fez da missão de sua vida capturar o homem que matou seu irmão. Lozada. E a bela doutora é o melhor meio para esse fim.

Sabe aquele livro que tem bons elementos mas não consegue te prender? Foi o meu caso com Obsessão. Além da história em si não ter me prendido, achei o vilão muito ruim, beirando o ridículo, o que acabou por prejudicar o clima de tensão do livro. Lozada é descrito alguém desequilibrado, mal como o pica-pau, mas, pra mim, ele mais pareceu um vilãozinho barato de filme B. Não me causou tensão nem ódio- e a coleção de escorpiões vivos dele foi um toque no mínimo risível. Sorry, Sra. Brown, mas dessa vez não deu.

Eu até consegui suportar a mocinha, um tanto quanto chatinha pois o Wick é sim um herói romântico que se presa. Ogro com açúcar, sabem como é? O que eu gosto nos livros da Sandra Brown é que, apesar de qualquer defeito, ele nunca deixa o suspense de lado. E aqui não foi diferente. O romance de Wick e Rennie vai crescendo pouco a pouco, primeiro cercado de desconfianças e, depois, de tensão. Porém, em nenhum momento, a trama policial é deixa de lado. É ela a razão de ser do livro. E é por isso que eu gosto tanto da autora. Mesmo em livros não tão bons ela ainda consegue me cativar e ficar morrendo de curiosidade para saber como tudo vai acabar.

Apesar dos defeitos óbvios, a trama é bem construída. A autora soube usar bem o fato de já sabermos quem é o vilão e ir construindo o suspense- e a tensão a partir daí.

Se você nunca leu a autora, talvez esse não seja o melhor livro para se começar, porém, Sandra Brown é sempre recomendável. Romance e suspense na medida certa.



Título Original: The Crush
Autor: Sandra Brown
Editora: Rocco
Gênero: Suspense Romântico
Sub-Gênero/Assunto: Thriller, Suspense, Homens da Lei, Médicos
Período: Atual. Texas, EUA.
Capa Original:



3.5/5

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quinta-feira, julho 21, 2016

[Resenha] The Year We Fell Down - Sarina Bowen

“Ela deveria começar na faculdade Harkness como uma jogadora de hóquei no gelo do colégio. Mas um grave acidente, levou Corey Callahan a começar na escola em uma cadeira de rodas em vez disso. No final do corredor, no outro dormitório acessível a pessoas com deficiência, vive o também delicioso Adam Hartley, outra estrela do hóquei que tinha a perna quebrada em dois lugares. Ele é muita areia pro caminhão de Corey. No entanto, uma improvável amizade floresce entre Corey e Hartley no "gueto gimp" de McHerrin Hall. Sobre tequila, perigosamente equilibrada bandejas de sala de jantar e jogos de vídeo, os dois lidam com decepções que ninguém mais entende. Eles são só amigos, é claro, até que uma noite, quando as coisas caem distante. Ou, caiem juntos. Tudo que Corey sabe é que ela está caindo. Difícil. Mas será que Hartley deixará sua garota troféu, para amar alguém tão quebrada quanto Corey? ” (Peguei a sinopse em PT no blog Leituras e Devaneios.com ;)



Uma adorável surpresa.

Eu já comentei por aqui como eu adoro ficar fuçando na Amazon em busca de novidades e livros interessantes, e foi numa dessas “buscas” que eu encontrei The Year We Fell Down. Vi que tinha boas notas no Goodreads, mas fora isso sabia muito pouco, porém a história me chamou a atenção e resolvi arriscar. Ainda bem.

Que história linda! É um New Adult com elementos conhecidos como a garota nova se apaixonando pelo garoto popular mas com detalhes novos que fizeram toda a diferença.

Casey é uma jogadora de Hockey que tinha todo o seu futuro programado: iria entrar para a faculdade e seguir uma carreira de esportista. Porém, um grave acidente em quadra interrompe tudo isso. Ela vai sim à Universidade, mas agora em uma cadeira de rodas. Hockey, nunca mais.

Na universidade, na ala dos dormitórios “acessíveis” e especiais para pessoas com necessidades, ela conhece Hartley, também jogador de Hockey e que quebrou a perna. A empatia entre os dois é quase que imediata. Com o Hockey como primeiro interesse em comum, os dois vão criando uma amizade das mais fortes.

Hartley tem uma namorada; uma dessas garotas lindas, ricas e...intragáveis. Porém, ela está longe, fazendo um intercâmbio na Europa e a sua ausência acaba por unir ainda mais os dois amigos.

Amizade. Foi isso que mais me chamou a atenção no livro. Claro, é óbvio que um romance iria acontecer, mas a forma como eles realmente ficam amigos foi o que eu mais gostei. Hartley vê em Casey alguém muito além de uma garota em uma cadeira de rodas. Contudo, a deficiência dela não é em momento algum deixada de lado. É o que ela é e precisará conviver para o resto da vida. Gostei muito que a autora não faz com que a gente sinta pena da personagem, mas orgulho.

Mais do que a impossibilidade de jogar, Casey teme também ter perdido a sensibilidade como mulher. E com quem conversar sobre algo tão íntimo? A autora soube tratar com profunda delicadeza essa questão. Hartley provavelmente foi um dos mocinhos mais delicados e amorosos que eu já encontrei. Sim, teve um momento *ódio ao mocinho* mas eu superei!

The Year We Fell Down é uma história bonita e tocante que fala sobre amor, amizade e diferenças. As dificuldade de Casey são diárias mas elas não a impedem de seguir em frente. Claro, o livro tem alguns defeitinhos mas nada muito grave e o romance entre os dois e realmente lindo. Vai muito além das aparências.

Fica a dica para alguma editora lançar por aqui.


Recomendo.


Título Original: The Year We Fell Down
Autor: Sarina Bowen
Editora: Importado
Gênero: New Adult
Série: The Ivy Years
Sub-Gênero/Assunto: Esportistas, Amizade, Imperfeições
Período: Contemporâneo. EUA.


A Série 
Livro 1 - The Year We Fell Down
Livro 2 - The Year We Hid Away
Livro 2,5 - Blonde Date
Livro 3 - The Understatement of the Year
Livro 4 - The Shameless Hour
Livro 5 - The Fifteenth Minute


Outra Capa:

4.5/5

segunda-feira, julho 18, 2016

[Resenha] Flores Partidas - Karin Slaughter

“Quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la, Claire não acreditou. Dezoito anos depois, porém, tudo o que Claire achava saber sobre o marido se provou uma mentira. Quando vídeos escondidos no computador de Paul mostram uma face terrível do homem que ela julgava conhecer, Lydia percebe que o drama de sua família tem muitas camadas que precisarão ser descobertas antes que a assustadora verdade por fim venha à tona..”


Que livro. Que livro.

Ainda estou tentando “processar” tudo. Flores Partidas pode não ser uma leitura para todos, mas é, sem sombra de dúvida, um livro fantástico.

Lydia e Claire são duas irmãs que não se falam há 18 anos, desde que a primeira contou para a irmã que o cunhado, Paul havia tentado violentá-la. Claire ficou do lado do marido. Afinal, como confiar em Lydia, já que esta era uma drogada promíscua. Além disso, a família havia há muito se desintegrado desde o desaparecimento de Júlia, a mais velha das irmãs. 25 anos haviam se passado e aquele sumiço continuava a ser um mistério. Quando Paul de forma trágica, Claire, acaba descobrindo, por acaso, uma série de vídeos perturbadores.

Talvez Lydia tivesse falado a verdade. Talvez Paul não fosse quem Claire pensasse que ele fosse. Com o desaparecimento de uma jovem invadindo a mídia, velhas dores e lembranças parecem ainda mais atuais e Claire busca a ajuda da irmã para descobrir a verdade.

É isso. Só isso e nada pode ser dito. Flores Partidas não é um livro de mistério, mas desde o princípio a autora vai desencadeando surpresa atrás de surpresa. Choques, literalmente.

O livro fala sobre o universo sombrio do Snuff Porn e da Internet Oculta, onde vídeos de estupro e assassinato são produzidos e amplamente divulgados. É mostrado o lado mais feio e cruel do ser humano. Honestamente poucas vezes sente tanto ódio e ojeriza. É triste e repugnante. Flores Partidas mostra como a tragédia acaba não só a vítima mas com toda a sua família.

Intercalando a ação presente com as cartas do pai para a filha desaparecida, o livro nos faz  sentir na alma a dor daquele homem. É extremamente triste, mas também belo. Se eu pudesse, eu abraçaria aquele homem cuja vida simplesmente acabou no dia em que a filha desapareceu.

A ação se passa em poucos dias, horas, e isso dá um aspecto ainda mais desesperador à trama, fazendo com o leitor fique constantemente à flor da pele. Apesar de não existe uma violência gráfica, mas ela está lá, sempre presente e implacável. Por isso, a leitura talvez não indicada a todos. Eu mesma me senti incomodada em algumas passagens; uma sensação de mal estar.

Claire é uma mulher que vive uma vida quase perfeita. Rica e casada com um homem praticamente perfeito, ela criou para si uma bolha de felicidade e harmonia. É muito diferente de Lydia que, após anos de sexo e drogas, luta muito para cuidar da filha adolescente. São duas vidas completamente opostas- com personalidade bem diferentes, mas que em determinado momento é necessário olhar para trás. Não existe o perdão fácil, se é que ele existe.

Eu gostei muito como as duas personagens são desenvolvidas e como a força pode aparecer nos momentos mais desesperadores- e como é tentadora a vontade de desistir.

É um livro de leitura rápida, mas que devido ao tema eu senti a necessidade de dar “paradas”na leitura. Karin Slaughter sabe muito bem criar um ambiente de tensão. Com uma linguagem direta e muito envolvente, Flores Partidas tem um ritmo fluido e muito bem desenvolvido, com personagens complexos e soluções bem arquitetadas e nada fáceis.

O final me fez sentir aquele aperto doído no coração. Agridoce.

Recomendadíssimo!


OBS: A Garota dos Olhos Azuis é a prequel de Flores Partidas e conta as horas antes de Julia desaparecer. Apesar de ser uma prequel eu aconselho ler DEPOIS do livro. O conto pode ser baixado gratuitamente na Amazon.




Título Original: Pretty Girls
Autor: Karin Slaughter
Editora: Harper Collins Brasil
Gênero: Thriller
Sub-Gênero/Assunto: Suspense, Serial Killer
Período: Contemporâneo. Atlanta, EUA.
Outra Capa:



5/5
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quinta-feira, julho 14, 2016

[Resenha] A Caminho do Altar - Julia Quinn



“Ao contrário da maioria de seus amigos, Gregory Bridgerton sempre acreditou no amor. Não podia ser diferente: seus pais se adoravam e seus sete irmãos se casaram apaixonados. Por isso, o jovem tem certeza de que também encontrará a mulher que foi feita para ele e que a reconhecerá assim que a vir. E é exatamente isso que acontece.

O problema é que Hermione Watson está encantada por outro homem e não lhe dá a menor atenção. Para sorte de Gregory, porém, Lucinda Abernathy considera o pretendente da melhor amiga um péssimo partido e se oferece para ajudar o romântico Bridgerton a conquistá-la.

Mas tudo começa a mudar quando quem se apaixona por ele é Lucy, que já foi prometida pelo tio a um homem que mal conhece. Agora, será que Gregory perceberá a tempo que ela, com seu humor inteligente e seu sorriso luminoso, é a mulher ideal para ele?

A caminho do altar, oitavo livro da série Os Bridgertons, é uma história sobre encontros, desencontros e esperança no amor. De forma leve e revigorante, Julia Quinn nos mostra que tudo o que imaginamos sobre paixão à primeira vista é verdade – só precisamos saber onde buscá-la.”




Esta resenha, penso eu, tem muita similaridade com a que fiz sobre o livro Because of Miss Bridgerton. Esperava mais. Na verdade, esta é a minha segunda leitura de A Caminho do Altar; a única diferença é que a primeira vez que li a história do Bridgerton “que faltava”foi no original. Porém, devo dizer, até com certo pesar, que minha opinião não mudou.

Gostei, mas esperava mais. Ter expectativas é algo complicado, que deve ser evitado, mas como não as ter com o último livro de uma série que a gente ama?! O grande problema, aliás, é a série. Por ter livros tão incríveis, acabei por esperar algo arrebatador, o que não aconteceu. Se fosse um stand alone, de outra autora qualquer, provavelmente eu teria sido menos crítica. Gostaria de não ter que admitir isso, mas é a pura verdade.

Mas o fato é que, apesar de tudo, A Caminho do Altar é sim uma história divertida e romântica, onde Gregory Bridgerton, o último filho solteiro de Lady Violet, descobre que o amor à segunda vista pode ser o que realmente importa. De início, ele pensa estar loucamente apaixonado por Hermione Watson (nem precisa perguntar em quem a autora se inspirou, né?) porém, Hermione já está apaixonada...por outro. Outro totalmente inadequado. É aí que entra Lucy Albernathy, melhor amiga de Hermione, e que pensa que Gregory é muito melhor partido para a amiga. Era quase que uma “obrigação” de Lucy juntar os dois. Bem, claro que nada será como o planejado.

Junte à isso alguns segredos de família, um noivado arranjado e amores inesperados e temos A Caminho do Altar. Hermione é a mais bela de todas, mas aos poucos Gregory vai percebendo como a aparentemente apagada Lucy pode ser muito mais interessante.

Eu gostei bastante da mocinha prática e não muito chegada às grandes paixões, muito diferente de Gregory, um romântico assumido. Essa diferença entre os dois é justamente o que faz o casal ter uma química boa. Gregory é quase um tolo, mas aos poucos é possível perceber que ele é mais do que ser somente o Bridgerton número 7.

O livro tem ótimas passagens e a escrita leve, recheada de ironia, com certeza é o diferencial. Porém, por mais que eu tenha gostado dos personagens e da história, no geral, achei que faltou paixão. Não aquele livro que me fez suspirar, me apaixonar.

Mas Julia Quinn é sempre Julia Quinn, e como diria a Cris Paiva, um livro mediano dela sempre será melhor que muita coisa por aí.

Sempre vale a pena ler.


Série:
Livro 1- O Duque e Eu
Livro 2- O Visconde Que me Amava
Livro 3- Um Perfeito Cavalheiro
Livro 4- Os Segredos de Colin Bridgerton
Livro 5- Para Sir Phillip, com Amor
Livro 6- O Conde Enfeitiçado
Livro 7- Um Beijo Inesquecível
Livro 8- A Caminho do Altar

Os Epílogos: E Viveram Felizes Para Sempre

A série ainda tem "Segundos Epílogos". (Ver a lista completa AQUI)


Título Original: O the way to the wedding
Autor: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance Histórico
Série: Bridgertons- Livro 8
Sub-Gênero/Assunto: Romance, Humor
Período: Regência. Inglaterra.
Capa da Edição Portuguesa:


3.5/5
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quarta-feira, julho 13, 2016

[Resenha] Não Fale Com Estranhos - Harlan Coben


“O estranho aparece do nada e, com poucas palavras, destrói o mundo de Adam Price. Sua identidade é desconhecida. Suas motivações são obscuras. Mas suas revelações são dolorosamente incontestáveis. Adam levava uma “vida dos sonhos” ao lado da esposa, Corinne, e dos dois filhos. Quando o estranho o aborda para contar um segredo estarrecedor sobre sua esposa, ele percebe a fragilidade do sonho que construiu: teria sido tudo uma grande mentira?
Assombrado pela dúvida, Adam decide confrontar Corinne, e a imagem de perfeição que criou em torno dela começa a ruir. Ao investigar a história por conta própria, acaba se envolvendo num universo sombrio repleto de mentiras, chantagens e assassinatos.”



Analisando friamente, em termos de literatura policial, os livros de Harlan Coben não apresentam grandes novidades. Contudo, e talvez por isso, mesmo, é incrível que, apenas com uma história e a escolha certa de palavras, o autor consiga capturar nossa atenção desde as primeiras páginas.

É o caso de Não Fale Com Estranhos. A partir da velha máxima de “segredos sendo revelados”, Harlan nos conduz por uma trama cheia de verdades escondidas e segredos inconfessáveis. Adam Price, nosso relutante herói, descobre, por um completo estranho, que sua mulher não é exatamente o que ele pensava ser. Mais do que um segredo revelado, Adam percebe que, talvez, sua vida “perfeita” não seja tão perfeita assim.

Ao tentar ir mais afundo na questão- e no que aquele estranho representa (quem seria ele?), Adam percebe que há muito mais em jogo. Quando Corinne, sua esposa, desaparece, tudo realmente muda.

Pois é, Harlan Coben sabe muito bem mexer com as emoções de seus leitores. Agraciado apenas com um fio de verdade, Adam não é nenhum herói cheio de superpoderes. Até aquele momento, ele era apenas o pai legal, o esposo devotado de uma mulher prefeita, Mas tudo isso desaparece e ela acaba tendo que descobrir o que de fato aconteceu, ao mesmo tempo que cuidar dos dois filhos.
Gostei muito da dinâmica apresentada e como a relação dos três vai se fortalecendo. Além disso, vão sendo introduzidos outros detalhes no mistério- além de fatos aparentemente isolados. Não Fale Com Estranhos não é aquele suspense sensacional mas que deixa a gente ligado na história e morrendo de vontade de saber o final.

Com personagens humanos, simplesmente mortais, o livro mostra a dimensão dos erros e da maldade- e que todo mundo pode ter algo a esconder.

Para quem nunca leu o autor, este é um ótimo começo.

Recomendo.

**Este livro foi gentilmente cedido pela editora**


Título Original: The Stranger
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Gênero: Suspense
Sub-Gênero/Assunto: Mistério
Período: Atual. Nova Jersey, EUA.
Outra Capa:


4/5
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