sábado, outubro 19, 2013

Vinícius de Moraes: 100 anos

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe"

(Samba da Benção)

Hoje, 19 de outubro, Vinicius de Moraes faria 100. Eu não pretendo escrever aqui uma bibliografia. Não. Até porque , por mais que eu escrevesse, sempre faltaria alguma coisa e , para isso tem o site oficial e o Wikipédia de sempre, né?


Este post é apenas uma pequena homenagem.

Eu conheci Vinicius na Infância, através do Especial da Arca de Noé. Na verdade, eu não me lembro do especial em si, pois era muito pequena. Apenas vagamente; é que tipo de lembrança que a gente nunca sabe se é real ou se foram as inúmeras reprises. Porém, eu me lembro sim dos discos com as músicas. Poesia pura. Aliás, eram poesias. Poesia para crianças.




"(...)E abre-se a porta da arca
Lentamente surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Vendo ao longe aquela serra
E as planícies tão verdinhas
Diz Noé: que boa terra
Pra plantar as minhas vinhas

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante

E de dentro de um buraco
De uma janela aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta, e o tigre - "Não"

A arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Entre os pulos da bicharada
Toda querendo sair

Afinal com muito custo
Indo em fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida(...)

-A Arca de Noé

Eu não sou uma entusiasta da Bossa Nova. Tampouco odeio. Penso que a palavra certa seja cansada deste estilo musical. Apesar disso, uma das que *eu* considero mais belas músicas brasileiras (a letra, pelo menos), é um clássico do gênero. Chega de Saudade.
Escrita por Vinicius de Moraes.

Mas não vou falar de Bossa Nova, ou de muita coisa. Mais do que o Vinícius da Bossa Nova, gosto é do Vinicius dos poemas, dos Sonetos. E Soneto da Separação é o meu favorito.

É isso.


"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
 
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente"
-Soneto da Separação



"O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades."

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