sábado, junho 30, 2012

A Máquina do Tempo, de H.G. Wells [Desafio Literário]


Título Original: The Time Machine
Autor: H.G. Wells
Editora: Várias. A que eu li: Francisco Alves.
Gênero: Ficção Científica
Coleção: Mundos da Ficção Científica
Sub-Gênero/Assunto: Viagem no Tempo, Aventura, Clássico
Período: Inglaterra vitoriana. Ano 802.701 d.c
Um cientista constrói a primeira máquina de viajar no Tempo e com ela percorre as diversas etapas da civilização humana, até chegar ao longínquo futuro, que ele supõe ser a Idade de Ouro da humanidade. O homem venceu a Natureza e o mundo inteiro é um jardim. O trabalho, as doenças, a guerra, a competição econômica e social parecem ter desaparecido. A nova raça vive exclusivamente para o amor e a diversão, ninguém envelhece.
Mas como funciona essa sociedade? Quem a sustenta? De onde vêm os belos tecidos com que todos se vestem? E que são, ou quem são, esses animais noturnos que os habitantes do Mundo Superior tanto temem?






Minha segunda leitura do mês para o Desafio Literário 2012. Viagem no Tempo. [MINHA LISTA] .
A Máquina do Tempo é um clássico incontestável. Muito mais que um livro antigo e de certa importância, ‘A Máquina’ é daquele tipo de obra em que podemos classificar como “antes e depois de”. O livro é simplesmente um marco da ficção cientifica.

À primeira vista, ou melhor dizendo, em um primeiro momento, a leitura pode parecer um pouco ingênua e simples- soando quase como um filme de ficção de baixo orçamento, mas aí quando paramos para pensar quando a obra foi escrita (Séc. XIX), essa impressão cai por terra. Wells foi um pioneiro e (praticamente) tudo o que pensamos, lemos ou assistimos sobre Viagem no Tempo em dispositivos maquinários deriva desta obra. Não é pouca coisa.

“A princípio, não pensei muito em parar, entregue quase que inteiramente às novas sensações da viagem. Mas logo uma nova série de pensamentos começou a formar-se em meu espírito — uma certa curiosidade, e, portanto, um certo temor — até que por fim, me dominaram completamente. Que extraordinários progressos da humanidade, que maravilhosos avanços sobre nossa civilização rudimentar não iriam surgir diante de meus olhos, quando eu parasse para ver de perto esse mundo difuso e fugitivo que corria e flutuava à minha frente!”


O livro é curtinho, com uma estória simples e que vai direito ao ponto. A Máquina do Tempo conta a estória de O Viajante do Tempo (sim, ele é deste modo que ele é denominado ), um cientista de Era Vitoriana que constrói uma máquina do tempo e acidentalmente vai parar em um momento (bem!) no futuro da Terra. O Viajante se depara com uma sociedade idealizada, aparentemente perfeita (comunista?), habitada por pequenos seres.  Então, a máquina do tempo desaparece e...

Ao contar essa fantástica aventura, Wells também descreve sobre a condução do ser humano- e como, em alguns aspectos, ele não “avançou”. É claro que o “lado científico” é o que mais chamou- e chama- a atenção na obra de Wells, mas, devo dizer que fiquei positivamente impressionada com o teor sociológico da obra. Isso dizendo que não compartilho com os ideais de utopia comunista do autor- deixando de lado o tempo e o lugar em que a obra foi escrita (não entrarei no mérito da questão mas é muito diferente aderirmos à cartilha do Manifesto Comunista na época em que este foi escrito e os dias atuais. Realidades diferentes. Tempos diferentes. E sim, infelizemente nem tudo realmente mudou ou mudou para melhor.) Todavia, apesar dessa "utopia comunista"que eu mencionei anteriormente, Wells também é bastante crítico e sabe que até na "sociedade ideal" existem e existirão contradições. E conflitos.

Outro ponto que também gostei foi da interação, o relacionamente do Viajante com Weena, uma habitante da "Terra do Futuro".

Não vou mentir: eu não sou exatamente fã de literatura de ficção cientifica. Gosto de Star Wars e adoro Doctor Who, mas, quando se trata de obras literárias, confesso que acho um pouco chato. Muitos autores do gênero (e isso também vale para o gênero Fantasia) tem a tendência de alongar-se nas descrições e...acho cansativo. É o tipo de gênero que prefiro “assistir” a ler sobre. Contudo, H.G. Wells me surpreendeu positivamente. A linguagem dele é simples e direta, sem se ater a muitos detalhes enfadonhos. As explicações, cientificas ou não, estão lá, simples e claras. Diretas. O mais interessante é que ele consegue ser profundo utilizando-se dessa linguagem aparentemente simplória ou corriqueira. Em alguns momentos, não vou negar, a obra quase parece um tratado, uma explanação sobre os conceitos de futuro de sociedade. Todavia, nunca deixa de ser interessante.

Uma lição para muito escritor contemporâneo.

Ah, e sim, tenho que confessar que o final me decepcionou um pouco.

Clássicos podem assustar e nem todos gostam de Ficção Cientifica, porém, penso que A Máquina do Tempo é o tipo de livro que merece ser conhecido.

Gostar ou não vai de cada um.

Edição:

A Edição que eu li foi uma antiga, da Editora Francisco Alves (ainda existe essa editora?). O prefácio, muito interessante, foi escrito por Jorge Luís Borges.

A editora Objetiva lançou uma nova edição em 2010.


Outras Capas:


Wiki do Autor: H._G._Wells

Cotação:

3.5/5

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