terça-feira, maio 22, 2012

A Mulher de Pilatos, de Antoinette May [Desafio Literário]


Título Original: Pilate’s Wife
Autor: Antoinette May
Editora: Sextante
Gênero: Romance Histórico
Sub-Gênero/Assunto: Amor Proibido, Mitologia, Adultério
Período: Roma e Judéia- Primeiras Décadas da Era Comum. 
Em pleno Império Romano, Cláudia Purcula convive com personalidades como o imperador Tibério e a imperatriz Lívia, Pôncio Pilatos, Calígula, Herodes, incluindo até Jesus de Nazaré. Ela se encanta e se casa com o ambicioso Pilatos. Entretanto, é Holtan, um poderoso gladiador, que vem a se tornar seu verdadeiro amor. Cláudia passa a viver sufocada por esta paixão e, por conta de seu dom da vidência, atormentada por visões de terríveis acontecimentos. Quando Miriam de Magdala, sua amiga, confessa seu amor por Jesus de Nazaré, ela prevê revoluções, injustiças, açoitamento, crucificação de Jesus e, embora faça tudo para evitar que Pilatos o condene, acaba por assistir ao inexorável curso da história. Mesclando história e ficção, Antoinette May descreve detalhes das personalidades e do contexto da época.




Minha leitura deste mês para o Desafio Literário 2012. O tema era Fatos Históricos. [MINHA LISTA]

A Mulher de Pilatos era um daqueles livros que estavam à séculos na estante esperando para serem lidos, mas eu sempre deixava para depois. O tema do Desafio Literário 2012 deste mês, Fatos Históricos, foi o empurrãozinho que faltava.

Eu não sou uma pessoa religiosa, longe disso. Perdi a minha fé há muito tempo. Porém, fui batizada na Igreja Luterana e estudei em Colégio de Freiras. Apesar das minhas ressalvas, eu prego o respeito e sempre gostei da parte histórica das religiões. E foi justamente a parte histórica que primeiro me chamou a atenção para o livro.

A estória é toda contada sob o ponto de vista de Cláudia Purcula, desde sua infância. Possuidora do poder dom da clarividência, ela não sabe usar muito bem esse poder e muitas vezes e ele se mostra quase que inútil até torturante (como saber que alguém querido vai morrer e não poder fazer nada).

O livro mostra toda a trajetória desta mulher, a relação com a família, o casamento com Pilatos, a paixão com o gladiador Holtan, a inimizade a imperatriz Lívia. O livro todo é um caldeirão de acontecimentos e isso foi uma das coisas que mais me encantaram. Em muitos momentos, eu me senti totalmente mergulhada naquele mundo, naquela época. A escrita de May é dinâmica e ele consegue ser detalhista sem ser cansativa ou enfadonha. Para quem gosta de História, é um deleite.

“Minha família seguiu numa carruagem suntuosa, ladeada por batedores. A armadura de gala de meu pai brilhava ao sol. Mamãe o fitava com orgulho. A vitória pessoal dela foi que nem Marcela nem eu usamos roupas de segunda mão de Agripina. Aquele foi meu primeiro traje de adulta. A túnica sem mangas, uma veste cor de lavanda, caída em drapeados de seda dos ombros aos tornozelos. Uma fita prateada atava o corpete bem abaixo dos meus seios; eu prendia o máximo a respiração para fazê-los parecer maiores. Ainda menina naquela época, apesar da minha nova dignidade, compartilhei o desfile com a minha gatinha Hécate, levantando-a de tempos em tempos, para que também pudesse apreciar o espetáculo.”

Claudia não é uma mulher perfeita, longe disso. Por vezes, ela é bem infantil e por que não, humana. E isso o que eu gostei na personagem na personagem. O mesmo posso dizer de Pilatos. Mais do que o vilão que “lavou as mãos”, a autora apresenta aqui um homem “comum”, com qualidades e defeitos. De certa maneira, como personagem, eu até gostei dele. Assim como Claúdia e tantos outros, ele não passava de uma marionete em muitos sentidos.

Particularmente, eu gostei mais da primeira metade do livro, achei-a mais dinâmica e interessante. Penso que Antoinette May “viajou” um pouco na representação de Maria. Não houve desrespeito, longe disso, mas achei a mãe de Jesus bem chata aqui.

Além disso, não posso deixar de mencionar os momentos de raiva que passei durante a leitura. Que ódio eu senti de Tibério e de Lívia! Calígula! O pior é perceber que não houve realmente justiça, não é mesmo?

Apesar de eu ter gostado bastante da leitura, este não é um livro que eu recomendaria a todos. Se você for um cristão fervoroso que não aceita nenhuma teoria ou romanização com personagens bíblicos ou ditos sagrados , faça um favor a si mesmo e, principalmente, aos outros, e não leia o livro. A autora não é, nenhum momento, ofensiva, mas como eu disse anteriormente, ela “pirou na batatinha”em alguns momentos- e, mais importante, A Mulher de Pilatos é uma estória romanceada e ,assim como livros do tipo Código Da Vinci, não deve ser levada a ferro e fogo. (Aliás, sinceramente, qual é o problema se Jesus teve uma mulher ou não? Nunca entendi por que se incomodam tanto com isso... Ah, mas Magdalena era uma prostituta! Bem, esse é um pensamento não muito “cristão” não é mesmo? Atire a primeira pedra...)

A Mulher de Pilatos não é um livro de literatura cristã- e a personagem principal é uma mulher romana dos primeiros anos da Era Comum. A estória é vista e contada sob o ponto de vista dela . Ela adorava os deuses e achava o judaísmo muito estranho, assim como Jesus. Achar que ela vai conhecer Jesus e de repente “encontrar a luz” é como ler um livro sobre a Idade Média em a Igreja seja a mais benevolente e amada das instituições. É irreal.
Tenha isso em mente.

De qualquer forma, A Mulher de Pilatos é uma leitura muito interessante e que vale a pena a conferida.


A Edição:
A edição está correta, mas eu senti falta de notas do tradutor, principalmente por se tratar de um romance histórico. Pequenas notas explicativas de alguns termos e nomes, além de auxiliarem a leitura engrandeceriam em muito a obra.





Outras Capas:


Cotação:

4/5


PS: Qualquer erro, por favor me avisem. Não estou muito bem (gripe!) então a resenha está assim-assim... :/

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