quarta-feira, maio 29, 2013

Vamos falar daquilo? Pensamentos aleatórios sobre literatura Erótica.

Antes de mais nada, só gostaria de dizer que não nenhuma especialista no assunto.


Com o sucesso da Trilogia Cinquenta Tons de Cinza, os livros eróticos- e eaté mesmo os pornográficos- entraram com tudo no mercado editorial brasileiro. Quem me conhece ou conhece o blog sabe muito bem a minha opinião sobre a Srta. Deusa Interior e o Mr. Bocó mas que eles fizeram um grande favor ao darem uma certa “arejada” no mar de YA’s e fantasias que assolavam o país isso fizeram. É claro que começou a aparecer uma overdose de BDSM e tudo o que é demais cansa e, principalmente, muita gente começou a confundir qualquer livro com cena de sexo com romance erótico. O que, meu queridos, está longe de ser verdade.

Há um certo tempo, o super respeitado site PublishNews fez um post em que comentava à respeito da “editora de romances eróticos, Harlequin”. Eu, e muitas outras leitoras da editora logo nos indignamos. Harlequin? Romances Eróticos? Desde quando? Na ocasião, o erro foi desmentido, mas percebo que o engano ocorre até hoje. E não só com “romances Harlequin”. E, para ser sincera, isso me incomoda. Bastante.

É por isso que resolvi fazer este pequeno post. Não quero abrir grandes discussões.  Começando por 4 pontos que eu acho pertinentes sobre o assunto:

1- Você não é obrigado a gostar de literatura erótica. As pessoas devem respeitar o seu “não gostar”. Da mesma forma , você deve respeitar o gostar das outras pessoas. Não é porque VOCÊ não gosta de algo, que este algo é ruim. E ler, sabendo que não vai gostar, só pra depois falar mal é, no mínimo, ridículo, né?

2- A literatura erótica tem como foco principal o sexo, o ato sexual, e não a história ou os personagens. Alguns livros podem ter mais “história” ou não, mas o foco é e sempre será o sexo. Existem livros Eróticos E Livros Eróticos. Assim como todo e qualquer gênero literário, existem bons livros eróticos e outros nem tão bons assim. Alguns são mais românticos, outros meramente pronográficos e quase , ou totalmente  sem história (os PWP).

3- A linguagem do romance Erótico é mais seca e direta. Os órgãos sexuais raramente são chamados de forma "metafórica".

4- Um livro ter cenas de sexo NÃO significa que este seja um livro erótico. Um livro HOT, sensual, NÃO É UM LIVRO ERÓTICO. Um romance de banca da Lori Foster, por mais caliente que seja, não é um erótico como o Luxúria, da Eve Berlin, por exemplo.

Eu não sei, mas às vezes eu chego a pensar se as pessoas (ou algumas pessoas, pelo menos) estão preparadas para ler a chamada “literatura adulta”. Não digo isso como uma crítica, mas como uma constatação. Basta o livro ter qualquer cena de sexo que já é comparado com literatura erótica. Isso sem contar a eterna conversa sobre a falta de “história”.

Ah, e a linguagem. Reclamamos tanto das suavizações e cortes em tantos livros e quando finalmente nos deparamos com romances com uma linguagem mais crua... o pau torna-se um problema?

O que queremos realmente?

Acho que isso é assunto para um outro post.

Como eu disse no início deste post, acho legal essa “onda erótica” , apesar da overdose BDSM. É bom diversificar o mercado, ter algo para o público adulto, porém, não é uma literatura para todos. E as pessoas não deveriam se envergonhar disso. Não sei, mas muitas vezes percebo que Erótica não é a onda da pessoa, mas ela só tá lendo porque está na moda ou porque ganhou “di grátis” de parceria da editoria. Isso não é legal.

Não estou dizendo para não se experimentar coisas novas, pelo contrário. É bom experimentar, mas sempre tendo em vista os nossos próprios gostos. Eu mesma não sou muito fã de YA. Nem por isso deixo de ler livros do gênero- mas quando os leio sei que vai pode haver uma grande chance d’eu não gostar. Eu estou correndo um risco. E sei disso. Posso quebrar a cara, como em  Antes que eu vá, ou posso me apaixonar, como foi o caso de Anna e o Beijo Francês.

Leia aquilo o que te faz bem; que te instiga. O que te dá prazer.


A vida é uma só.

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