sábado, julho 31, 2010

Desafio Literário: Mansfield Park, Jane Austen- Livro Reserva



Mansfield Park



DESAFIO LITERÁRIO 2010

Julho: Adaptado para o Cinema
O outro livro que li para este mês foi Eragon. Você pode ler minha resenha AQUI
Minha Lista






Título Original: Mansfield Park
Autor: Jane Austen
Editora: Landmark (edição bilíngüe)
Gênero: Romance
Sub-Gênero/Assunto: Romance Histórico, Amizade, Família, Adultério,
Período: Inglaterra. Regência.
Sinopse:

'Mansfield Park' é o terceiro romance de Jane Austen, originalmente publicado em 1814. Um conto onde uma jovem órfã é adotada por seus parentes ricos, apresentando conflitos que envolvem amor e contratos sociais, escravidão e civilidade, riqueza e autopercepção - sempre com o toque irônico de Jane Austen, sua marca registrada. Ainda que o livro aborde vários temas, a principal questão é a busca da identidade e do verdadeiro amor.



Ainda que o livro aborde vários temas, a principal questão é a busca da identidade e do verdadeiro amor. Por mais de dois séculos o livro divide os leitores: por um lado, “MANSFIELD PARK” é o trabalho mais autobiográfico de Jane Austen, refletindo o mundo de pretendentes religiosos e proprietários de terra, das caçadoras de maridos, dos esnobes e dos tolos do interior – no qual a escritora viveu e procurou o amor. Entretanto, o texto parece entrar em conflito com as tradicionais heroínas de Austen, uma vez que Fanny Price é surpreendentemente contida e passiva, fato que tem aturdido por décadas os críticos e os fãs da autora.


As questões sociais também são discutidas na obra, sugere-se pela crítica especializada que o título se refere ao julgamento de Mansfield, a decisão inglesa legal e histórica tomada pelo chefe da Justiça Lorde Mansfield, segundo a qual foram estabelecidos os primeiros limites quando à escravidão na Inglaterra. No romance, Fanny surpreende sua família adotiva ao levantar a questão sobre o envolvimento deles com a escravidão. As cartas de Jane Austen escritas na época nos informam de uma paixão por Thomas Clarkson, um popular abolicionista, o que justificaria o envolvimento da autora com estas questões sociais.
Jane Austen, como os seus personagens, cresceu em uma zona rural na Inglaterra entre a classe abastada e religiosos, cujos hábitos e negócios ela observava com perfeição e, às vezes, com uma honestidade brutal e reveladora. A sua memorável linguagem, a sua sagacidade satírica, o seu delicado senso de humor e as complexas caracterizações de luta moral no coração das famílias, além das alianças românticas, contribuem para o estilo atemporal da autora.

O tema prevalecente na obra continua relevante: a necessidade de homens e mulheres encontrarem a sua identidade e fazerem as suas próprias escolhas - ainda que a sociedade, por sua natureza, tente os fazer seres dependentes, sem força e preconceituosos. Este foi o romance mais lucrativo de Austen, garantindo à autora 350 libras, uma fortuna na época.

A história já foi adaptada algumas vezes para o cinema e televisão, as mais conhecidas são as versões de 1983 pela BBC e as homônimas norte- americanas de 1999 e 2007.



**



Vou dizer, ler este livro foi praticamente uma novela. Comecei a lê-lo em março pois, não sei por que achei que era o livro que eu tinha escolhido para o mês de março. Acontece que não era. O livro em questão era A Abadia de Northanger, também de Jane Austen.

Mas vou dizer, foi até bom que Mansfield Park fosse/foi a leitura para o mês de março. Por que? Por que foi um custo conseguir terminar este romance. No início fiquei super feliz pois tinha encontrado em casa uma cópia do livro em inglês (aquele com capa verde da Penguin Clássics, sabe?) Que ótimo, não preciso comprar! Mas não é que a fonte era tão minusculamente pequena que eu não consegui ler? Juro, li o primeiro capítulo e mais um pouco e tive que desistir. Não dava. Eu não estava entendendo nada.

O livro, em português, nas livrarias estava (e ainda está) muito caro então, resolvi apelar para os ebooks. Achei uma versão em inglês no maravilhoso site Girls and Books (um site só de ebooks de livros clássicos e para ‘girls’:P) E estava eu (re)começando minha leitura quando achei uma antiga versão de Mansfield Park, traduzida por Raquel de Queiroz. E foi com essa versão com que, eu, finalmente, consegui terminar a minha leitura.

O grande empecilho desta *saga* toda era o livro em si. Vou confessar, a leitura não ia para frente. O início não é exatamente parado mas são tantas descrições e detalhes que eu me senti um pouco perdida.

Outro ponto que também prejudicou a leitura, pelo menos no início, foi a grande quantidade de personagens- e muitas vezes dois personagens tinham o mesmo nome e... vou dizer, este é um livro para se ler *focado* e não simplesmente como *passatempo*.

Eu admito, estava quase desistindo, mas, a partir, do capítulo 10 o ritmo melhora e muito e você se vê não conseguindo parar de ler.

A estória

A estória gira em torno de Fanny Price, uma garota pobre e tímida que vive com seus tios em Mansfield Park. Ela é praticamente ignorada por todos na casa, a não ser Edmund, filho mais novo de seu tio. A espinha dorsal do romance- a relação entre Edmund e Fanny- é uma graça, agradável de se ler. A gente pode perceber nas entrelinhas que existe algo, um sentimento- mesmo que, aparentemente, isto não exista.

A amizade entre Fanny e Edmund é apenas um aspecto do romance. Toda a estória é permeada de pequenas centelhas de intrigas, jogos de cenas...por fim, um mundo de fachada.

Provavelmente, este é o livro mais sério de Austen. Com certeza, é o mais Crítico. Em cada frase, você pode notar a crítica a sociedade da época.

Muitos criticam o livro por o acharem um tanto quanto moralista- discordo. Outro ponto que também discordo de alguns críticos é no que se refere à Fanny Price: muitos a consideram *insossa* demais. Tudo bem, ela não é nenhuma Elizabeth Bennett mas existem momentos no livro em que Fanny é tão incrivelmente doce que não há como não suspirar. Apenas, Edmund....bem, esse sim, me irritou algumas vezes. Vou dizer, em certos momentos ele era um príncipe mas em outros...Um bobão!

A verdade é que eu poderia ficar falando, falando...digo, escrevendo, escrevendo.... sobre o livro mas isto seria impossível sem revelar nenhum spoiler. Apenas posso dizer que este é um daqueles livros obrigatórios. Não somente uma estória de amor mas, principalmente, o retrato de uma época. Apenas recomendo se, você nunca leu Austen não comece por ele- leia Emma, Northanger ou Orgulho e Preconceito antes.

E se você por acaso *empacou* na leitura, lembre-se, depois de um início chatinho tem uma ótima estória pela frente!
Cotação:

4/5

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Extras
Mansfield Park foi adaptado para o cinema e TV várias vezes. A última adaptação, para o cinema, é de 1999. Aqui no Brasil, o filme recebeu o título de Palácio da Ilusões.





Como de costume, a BBC produziu uma minissérie baseada na obra (2007).
Novamente, como de costume, Mansfield Park, também teve uma releitura. Bem , na verdade, duas releituras: Mansfield Park and Mummies e Murder at Mansfield Park. Pelo menos, neste último, não existem vampiros ou zumbis, o que, a meu ver, já um ponto a favor.


***PS: Acabei de perceber que Eragon era o livro reserva e não este. Bem, agora já foi! De qualquer forma, li os dois, né? :P

***PS2: Eu escrevi esta resenha meio às pressas, por isso, se tiver algum erro medonhento por favor me avisem!

<3

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