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segunda-feira, julho 28, 2014

O Amor é uma Canoa, de Ben Schrank

Stella Petrovic é uma ambiciosa editora com uma missão quase impossível: colocar um livro nas listas de bestsellers mais concorridas dos Estados Unidos. Mas não se trata de um livro qualquer e sim do manual de autoajuda O Casamento é uma Canoa, que foi publicado há já cinquenta anos. Peter Herman é um herói nacional graças a esse mesmo livro, o primeiro e último da sua carreira. Os conselhos sentimentais de O Casamento é uma Canoa inspiraram gerações de americanos. Com um casamento longo e feliz, Peter era a prova da eficácia das suas próprias palavras. Agora, viúvo e sem esperança, duvida de tudo o que escreveu tantos anos antes. Para Stella, o que está em jogo não suporta dúvidas ou hesitações. A editora está disposta a tudo para convencer o mundo de que O Casamento é, de fato, uma Canoa. E nada melhor do que encontrar um casal em busca de salvação. Emily e Eli estão casados há pouco tempo mas a paixão que os uniu está desgastada pela rotina. São perfeitos para o plano que Stella tem em mente… mas, para isso, ela terá de conseguir o apoio da única pessoa que não acredita no livro: o seu autor.


Que ódio!

O Amor é uma Canoa é um romance sobre livros. Não, melhor refrasear. O Amor é uma Canoa é um anti-romance que tem como pano de fundo o mundo editorial. Sim, assim está bem melhor. Mais apurado.
O livro tem como ponto de convergência, ou ponto básico, um livro de auto-ajuda chamado O Casamento é uma Canoa. Escrito no início dos anos 70, por um jovem chamado Peter Herman, o livro contava o período em que Peter, então com 12 anos, passou com os avós após o difícil divórcio de seus pais. Casamento é uma Canoa falava sobre família, amizade e, principalmente, casamento. Eram flashes daquele tempo em que o jovem Peter aprendera muitas coisas. O livro ainda contava com mensagens e “instruções” para o que seria um casamento sólido e feliz e como mantê-lo assim. Foi um sucesso.

Os anos se passaram e Peter acabou sendo autor de um livro só e o livro, apesar de continuar à venda e ainda ser conhecido não tinha mais o sucesso de antes. Pensando em mudar esse quadro e, principalmente, alavancar a carreira, a jovem editora Stella resolve fazer um concurso no qual um casal em crise tem a chance de conhecer e passar um dia na companhia de Peter.

Tudo parece perfeito. Até mesmo o casal escolhido, Emily e Eli. Os dois são jovens, bonitos e estão enfrentando a primeira crise séria no casamento. Além disso, Emily vê em Peter uma espécie de herói da sua infância.

O problema com coisas que parecem perfeitas é que geralmente elas não o são. Peter, recém-viúvo, não é mais aquele jovem que escreveu Casamento e talvez nunca o tenha sido. Além disso, o seu próprio casamento não tenha sido tão perfeito assim.

O Amor é uma Canoa começa devagar, mostrando lentamente quais são os personagens e as situações. Pouco a pouco vamos conhecendo Stella e seu mundinho meio O Diabo Veste Prada com sua relação com a chefe, Peter com decisões a fazer e Emily, uma jovem que sempre quis ter tudo sobre controle mas que começa a ver a própria vida se desmoronar. No meio disso tudo temos trechos de O Casamento.
Este foi um daqueles livros que foi me conquistando aos poucos. No início, confesso, a história não estava me fisgando e a única coisa que realmente me mantinha o interesse eram as partes de Metalinguagem, com a história de O casamento e a passagem do pequeno Peter na casa dos avós. Contudo, as outras “seções” do livro começaram a me interessar também. Eu me vi sofrendo pela Emily e achando agora senhor Peter um charme. Apenas Stella não me conquistou. As reuniões de pauta e toda a questão editoral me pareceram bem maçantes. Além disso, ao contrário de Emily e Peter que eram personagens com contradições, bem desenvolvidos, Stella me pareceu muito unidimensional, sem atrativos. Não gostei nem desgostei dela. Achei-a nula.

Carregado de ironia, O Amor é um Canoa satiriza as “verdades” dos livros de auto-ajuda e questiona o casamento ideal e o amor perfeito. Até aí tudo bem. Porém, eu não esperava que o autor fosse ESTRAGAR TUDO com um FINAL PÉSSIMO. Eu odiei o final, com todas as minhas forças. Sabe aquele tipo de final que acaba destruindo todo um livro? Pois é.

Eu nem sei o que dizer, sério. Eu geralmente não dou muitas 5 estrelas para as minhas leituras. Sou bem exigente, porém é raro eu ter lido livros que realmente me decepcionaram. E este foi um caso. Até chegar ao final, O Amor é Canoa não seria, de forma alguma, qualificado como um livro ótimo mas ali estava uma história que tinha me agradado e que, pouco a pouco, conseguira me conquistar. Contudo, o final estragou tudo.

Uma pena.

**
Como tudo é uma questão de gosto, não vou dizer “fujam desse livro!” Talvez vocês até apreciem o seu final, achem “divertido”. Sarcástico. Eu não achei. E se alguém já leu O Amor é uma Canoa me conte o que achou!



Título Original: Love is a Canoe
Autor: Ben Schrank
Editora: Quinta Essência
Gênero: Drama
Sub-Gênero/Assunto: Casados, Escritores,
Período: Anos 70 e Atual. EUA.

Capa Original:



Cotação:
2/5


quinta-feira, janeiro 02, 2014

O Livro do Porquê, de Nicholas Montemarano

Eric Newborn está acostumado a lidar com pessoas cujas vidas estão em crise.É um aclamado autor de diversos livros motivacionais e também um inspirado palestrante. No entanto, quando sua esposa morre, a angústia o toma de forma inescapável. Não existe cura fácil, nenhum clichê é capaz de consolá-lo, nada preenche o enorme vazio deixado pela perda. Ele se recolhe com sua cadela, Ralph, em sua isolada casa em Martha’s Vineyard. Cinco anos mais tarde, em uma noite agitada de tempestade, um carro sofre um acidente em frente a sua casa e uma mulher bate à porta, procurando ajuda. Sam é uma admiradora que estava a procura de Eric, convencida de que ele saberia dar sentido às coincidências que, simultaneamente, destruíram e deram nova cor à vida dela. À medida que Eric e Sam orbitam um em torno do outro, como constelações em um gigantesco universo, eles se põem a buscar respostas para suas perguntas, e encontram significados em sinais que às vezes ignoramos diariamente. Uma poderosa história de amor e um mergulho profundo no funcionamento da alma, O Livro do Porquê é um romance delicado e instigante, que nos faz refletir sobre a natureza da felicidade humana.



Não sei o que dizer sobre este livro.

Honestamente.

Talvez a primeira coisa a ser dita seja que eu não sou muito fã de autoajuda. Nunca acreditei, pra falar a verdade. Mas, também, O Livro do Porquê não é um livro de autoajuda. Talvez seja um livro sobre autoajuda. Não saberia dizer.

O fato é que não é o tipo de leitura que costume ler, mas ao mesmo tempo gostei da sinopse e... queria tentar algo novo. Acho que sempre é bom “sair da caixinha” de vez e quando. E não estou arrependida. Penso, apenas, que o livro foi um pouco diferente do que eu esperava.

O livro fala sobre o processo da perda, mas especificamente sobre como ficamos após a perda. As mudanças. Eric Newborn era um famoso escritor de livros de autoajuda que vive no ostracismo após uma grande perda. Ele perdeu o “dom” e não faz questão alguma de recuperá-lo. Morando sozinho com sua cadela, Ralph, o que Eric menos quer é ser “redescoberto” e isso é o que acontece quando uma jovem mulher chamada Sam vem a sua procura.

Narrado em primeira pessoa, O Livro do Porquê mostra o passado de Eric e o que aconteceu para que o Eric de “antigamente” desse lugar ao Eric “atual”, tão diferente e solitário. Tão diferentes que nem parecem ser a mesma pessoa.
O livro nós faz pesar em nós mesmos, nas mudanças em nossas vidas.

Ainda somos os mesmos?

É um livro de leitura relativamente rápida, mas que por muitos momentos fez o meu pensamento voar, divagar mesmo. Eu apenas não gostei da forma como a história é narrada, em primeira pessoa, no tempo presente. Sempre me incomoda livros no tempo presente. Acho estranho e, por vezes, confuso.
Além disso, senti falta de um final mais consistente. Faltou algo, a meu ver. O autor deixou muitas pontas soltas; talvez, tenha sido intencional, mas eu gosto de ver “todos os pingos nos i’s”, sabe? E acontece algo no livro, que embora, eu tenha entendido, me chateou. Fiquei triste.

Não acho que este seja um livro para todos os gostos, porém acredito que todos deveriam lê-lo. Parece estranho dizer isso, eu sei. Contraditório. Mas, para mim, O Livro do Porquê é aquele tipo de leitura que cada um, individualmente deve fazer a própria análise. Para alguns, será apenas mais livro “inspiracional” sem grandes novidades, para outros... será algo para se pensar.


O Livro do Porquê é uma experiência.


Que vale a pena.



Título Original: The Book of Why
Autor: Nicholas Montemarano
Editora: Leya
Gênero: Romance Contemporâneo
Sub-Gênero/Assunto: Viúvo , Segunda Chance, Animais, AutoAjuda, Espiritualidade
Período: Atual. EUA.
Capa Original:



3/5

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