segunda-feira, outubro 31, 2011

Feliz Dia D- Dia de Drummond

Hoje, dia 31 de outubro, Carlos Drummond de Andrade estaria completando 109 anos. Um dos mais ativos e importantes poetas escritores brasileiros, Drummond é conhecido até mesmo por aqueles que dizem não conhecê-lo ou se se dizem ignorantes no que se refere à poesia.



Não pretendo fazer aqui um post biografia ou algo do gênero. É mais um post homenagem. Um pequeno tributo à esse gênio das letras. Mas falando em homenagem, não posso deixar de mencionar o Dia D, criado pelo Instituto Moreira Salles. O Dia D será uma data anual, a fim de celebrar a vida e obra de Drummond (algo parecido com que ocorre na Irlanda com James Joyce).

 Saiba Mais Aqui: http://diadrummond.ims.uol.com.br/

Drummond Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade

A Lílian do Lá No Cafofo fez um post super lindo e chique!





Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
-Poema de sete faces



Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.
Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa
com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.
-Soneto da perdida esperança


Tarde, a vida me ensina
esta lição discreta:
a ode cristalina
é a que se faz sem poeta.

-Lição



A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.
- A Bunda, que engraçada





Leia (e escute, na prórpia voz do poeta!) outras poesias e poemas de Drummond: AQUI

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