quinta-feira, junho 19, 2014

Os Três, de Sarah Lotz

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo.

Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação.

A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente
para deixar um alerta em seu celular:

Eles estão aqui.

O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele...

Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.


O que dizer sobre os Três? O que dizer? É um livro diferente? Sim? Interessante? Sem dúvidas. Porém, acho que ele é um pouco mais além (ou seria, aquém?) de simplesmente “diferente e interessante”.
Quando tomei conhecimento da existência de os Três, já fiquei logo interessada. A história me parecia um misto de suspense e drama, talvez com uns toques de terror, quem sabe. Algo meio Stephen King, talvez. Além da capa incrível, a trama inicial tinha tudo para ser contagiante: num mesmo dia, quatro aviões caem, em diferentes locais no mundo. Apenas 3 crianças sobrevivem; uma quarta pessoa, uma dona de casa norte-americana, só sobrevive a tempo de deixar uma estranha mensagem. Essa mensagem irá desencadear mudanças no mundo inteiro. Aliás, O Mundo não será o mesmo depois dessa mensagem.

Parece incrível, né?

Pois é. Parece- é. Até o final.

Além de contar com essa premissa, no mínimo, diferente e original, Os três é narrado, na sua quase totalidade, através de relatos e depoimentos das pessoas de uma forma, ou outra envolvidas nos acidentes. É como se estivéssemos diante de um livro-reportagem que relatasse todos os lados de um dia extraordinário que mudou o mundo.
Pode parecer estranho no inicio- e é, mas este estilo de escrita prova-se eficaz para a história que é contada. De certa maneira, é como se estivéssemos diante de um documentário e de que tudo aquilo é verdade. Sem contar que os vários relatos dão uma visão muito mais ampla dos acontecimentos e dos personagens. Claro que esta acaba sendo uma percepção (que pode ser) equivocada, pois cada um apenas fala a própria verdade, não é mesmo?


A autora constrói uma trama tensa em que várias “teorias” vão sendo apresentadas e que, de certa forma, todas parecem ser plausíveis. É angustiante, sem dúvida, mas incrivelmente estimulante. Como leitor, a gente se vê temendo pelas três crianças, mas também com dúvidas: e se elas forem, realmente, “agentes do mal”? O livro fala sobre loucura, os limites da tecnologia e a histeria religiosa.

O livro tem um ritmo intenso e contagiante e cada página, cada “relato” é uma pequena peça de um grande quebra-cabeças.
É uma leitura realmente incrível...até chegar o final. Foi ali, nas últimas páginas que eu me decepcionei totalmente. Eu esperava algo UAU e encontrei...nada.

Obviamente, não posso falar muito sobre o que me incomodou neste final. Afinal, não quero estragar a leitura de ninguém.

*comentário Spoilado*
**O livro não tem conclusão! Tive a impressão que autora teve medo de se decidir por um caminho certo. Ficou tudo no terreno da suposição. Broxante. Pessoalmente, eu teria gostado se tudo não tivesse passado de um engano. Não tivesse nada de supernatural ou demoníaco com as crianças. Seria bem mais chocante. **De qualquer maneira, ficou um gosto de “foi mas não foi”, de tempo perdido. Uma pena.**.
*fim Comentário Spoilado*

De qualquer forma,Os Três é um livro muito interessante e bem escrito; talvez não agrade a todos mas é aquele tipo de leitura fora do comum que, de qualquer maneira, deve ser conhecida.




Título Original: The Three
Autor: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Gênero: Thriller
Sub-Gênero/Assunto: Suspense
Período: 2012. EUA, Inglaterra, África do Sul e Japão


Capa Original:



3/5

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