quinta-feira, setembro 04, 2014

Nosferatu, de Joe Hill

Victoria McQueen tem um misterioso dom - por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões - a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.



Nosferatu é uma saga de terror que tem como protagonistas dois personagens antogônicos mas igualmente fantásticos. É meado dos anos 80 e a menina Victoria Mcqueen tem o poder de, com sua bicicleta, chegar a qualquer lugar do mundo e encontrar coisas perdidas.

É algo estranho, obviamente, e a própria Victoria não entende muito este seu dom, acabando por mantê-lo em segredo; é algo útil, sem dúvidas, mas a cada “viagem” Victoria sente em seu próprio corpo consequências físicas.

Durante um desses “passeios”, Victoria acaba encontrando o que não deve: Charles Talente Manx, um estranho ser que, a bordo de um Rolls-Royce leva crianças para um estranho e tenebroso lugar chamado “Terra do Natal”. Um lugar sem pais ou mães, aonde é Natal todos os dias. O problema é que as crianças que estão lá não são mais exatamente “crianças” mais. Ou humanas.

Victoria consegue escapar porém a experiência deixa marcas e por mais que ela tentasse sua vida não mais seria a mesma. Já adulta, cheia de problemas e mãe de um adolescente, ela vê-se novamente tendo que enfrentar Manx. Afinal, ele está em busca de vingança.

Nosferatu foi o primeiro livro de Joe Hill que li e gostei bastante do que encontrei. Ele tem um estilo detalhista, mas não enfadonho, e que coloca o leitor verdadeiramente dentro da história, fazendo com que em muitos momentos os nossos nervos fiquem à flor da pele.

Filho do mestre do terror, Stephen King, é difícil não comparar Hill com o pai, até porque os dois escrevem o mesmo gênero. Não vou negar que acho King levemente superior mas seu filho tem um estilo parecido, principalmente na construção das situações e dos personagens. Sou fã do Stephen King “clássico”, de livros como Christine, Carrie e Cemitério Maldito e gostava muito como King conseguia ser aterrorizante, detalhista e ao mesmo tempo conciso.

Este não é um livro de terror óbvio, com sustos a cada virada de página; não é uma leitura para se sentir medo, mas sim, ficar tenso. A tensão é ingrediente principal aqui. Desde o princípio existe um receio, um meio do que possa acontecer a seguir. A trama toda é envolta num ar fantástico ao mesmo tempo em que se apresenta em um mundo “real”. Isto angustia, pois dá aos personagens e à nós mesmos, leitores, uma sensação de vulnerabilidade. Por exemplo, Victoria precisa mentir sobre fatos pois a verdade é fantástica e absurda demais.

Ela é uma pessoa que não conseguiu seguir em frente e ao negar o próprio passado acabou prisioneira dele mesmo. Victoria é aquele tipo de pessoa que poderia ter sido grande e apenas ficou...medíocre. De certa maneira, o novo embate com Manx é uma forma de recomeço.

Manx, por outro lado, é um homem (?) que faz questão de não esquecer o passado. Ele acredita estar salvando as crianças de pais negligentes e as enviando para um lugar onde só a “alegria reina”. É psicótico e assustador. Mais do que em seus momentos de ódio, o que me impressionou mais foram os momentos em que Manx demonstrava aparente candura e sentimentalismo.

Nosferatu é um livro longo que, apesar de um possuir uma trama linear, conta com muitas reviravoltas e surpresas . Todavia, em nenhum momento o autor se perde durante a condução da história e nem deixa pontas soltas.
Tenho que dizer que gostei do final, me lembrou dos filmes de terror que via quando era criança, porém, um detalhe do final eu não gostei. Preferiria que tivesse sido diferente.

O único senão do livro, a meu ver, é o tamanho. De forma alguma, Nosferatu é um livro chato, ou enfadonho. Muito pelo contrário, mas penso que uns 10, 15% a menos de páginas teria sido perfeito.

Além disso, o uso de reticências no final de alguns capítulos me incomodou um pouco. Achei bem desnecessário, sabe.

De qualquer maneira, Nosferatu é um ótimo livro; instigante e surpreendente. Além disso, não posso deixar de mencionar o incrível trabalho gráfico da edição.
Recomendo!


Título Original: NOS4A2
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Gênero: Terror
Sub-Gênero/Assunto: Paranormal, fantasia, suspense,
Período: Atual. Anos 80 e 90. EUA.






4/5

Reações: