quarta-feira, setembro 29, 2010

Desafio Literário: O Clã de Rhett Butler, de Donald McGaig (Romance Histórico)

 @editorarocco .............................................................................
DESAFIO LITERÁRIO 2010
Agosto: Romance Histórico
Livro reserva
Infelizmente, não pude ler o outro livro que havia escolhido para este mês, O Chá do Amor. Preciso economizar e R$59,90 é um pouco caro demais.
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O CLÃ DE RHETT BUTLER


FICHA TÉCNICA

Título Original: Rhett Butler’s people: autorized novel baseado n Margeret Mitchell’s Gone With the Wind.
Autor: Donald McCaig
Editora: Rocco
Gênero: Romance Histórico
Sub-Gênero/Assunto: Segunda Chance, Guerra Civil Americana, Guerra, Família
Período: Sul dos EUA, séc. 19 (Guerra Civil Americana)
Sinopse: 

O inesquecível protagonista do clássico E o vento levou está de volta no lançamento O clã de Rhett Butler, do especialista em História norte-americana, Donald McCaig. Mais de setenta anos depois do lançamento da saga que deu à Margaret Mitchell o prêmio Pulitzer e dez Oscars à adaptação cinematográfica, eternizada por Clark Gable e Vivien Leigh, a infância e a juventude do aventureiro Rhett Butler são desvendadas neste romance histórico sobre superação, sobrevivência e paixão. O clã de Rhett Butler chega às livrarias em abril pela Rocco, depois de se manter por 17 semanas consecutivas nas mais importantes listas dos mais vendidos dos Estados Unidos, entre as quais a do The New York Times.

O livro cobre o período de 1843 a 1874 na trajetória do herói criado por Margaret Mitchell, começando doze anos antes do jovem Rhett Butler conhecer Scarlett O’Hara, seu único e verdadeiro amor, durante uma memorável festa em Twelve Oaks, fazenda da mais tradicional família da Georgia, os Wilks; estendendo-se até tempos depois do fim da Guerra Civil Americana, quando as terras do Sul já haviam sido devastadas pelos ianques, e as tradicionais famílias aristocratas haviam assistido a sua honra, fama e fortuna serem reduzidas a meras reminiscências.

Na versão primorosamente criada por Donald McCaig, o temperamental e sedutor Rhett Butler tem sua vida passada a limpo e ganha contornos de herói ao sobreviver à guerra, aos bloqueios econômicos e aos incontáveis ataques a sua honra, saindo do conflito fortalecido e com a moral reconstruída. Para dar vida ao personagem, McCaig dá a ele uma família e um passado que justificam sua precursora visão abolicionista e seus ideais democráticos, além de esclarecer alguns pontos deixados em aberto no clássico de Mitchell, como os rumores de que Rhett Butler teria um filho bastardo; o suposto roubo de um tesouro confederado, o que justificaria sua fortuna; e seu posicionamento polêmico diante da Ku Klux Klan.

Filho de um grande latifundiário da Carolina do Sul, o autoritário Langston Butler, com a delicada e muito religiosa Elizabeth, desde cedo o jovem Rhett aprendeu a respeitar os empregados da fazenda, vistos como meros escravos pelo restante da família. Ainda menino, sufocado pelo pai e inconformado com o cruel tratamento reservado aos negros, em especial com o assassinato de Will, o mestre das comportas da fazenda, Rhett foge e encontra abrigo na casa dos Bonneau, família de escravos libertos que o acolhe como filho. Como punição, seu pai, ao descobri-lo, o faz trabalhar como empregado na fazenda, fato que o marca para toda a vida. Posteriormente, Langston envia o jovem rebelde para a academia do exército norte-americano, West Point. Mas o espírito aventureiro do rapaz não cede à vida militar. Expulso da instituição e renegado pela própria família, ele começa aí uma vida intensa e agitada, longe das planícies da costa leste, para onde volta apenas depois de ter feito fortuna.

O jovem Rhett Butler se aventura na sedutora New Orleans, cidade onde inicia uma lucrativa carreira na indústria naval; cruza os Estados Unidos e chega à Califórnia da época da corrida do ouro. Rico e bem-sucedido, mas não menos passional e sedutor, Rhett finalmente retorna à costa leste e chega a Charleston, na Georgia, onde conhece aquela que se tornará uma obsessão em sua vida – a jovem Scarlett O’Hara.

É só neste ponto da narrativa que o autor dá início à descrição da Guerra Civil que convulsionou o país e dividiu os Estados Unidos entre os abolicionistas, ao norte, e os confederados, ao sul. Donald McCaig descreve com detalhes o estopim da guerra – a invasão do Forte Sunter, na Carolina do Sul, a poucos quilômetros da capital, Washington; as principais batalhas travadas na Georgia, o estado mais atingido, e a destruição da capital, Atlanta; e as conseqüências nefastas do conflito para a região, devastada por incêndios, invadida por hordas de escravos libertos e desempregados. Com colheitas inteiras perdidas e sem mão-de-obra para cuidar do campo, com a moral destruída diante da nova classe que se forma, antigos fazendeiros se reúnem em grupos armados e dão origem à Ku Klux Klan, aterrorizando negros que um dia foram seus empregados, punindo-os pela dupla derrota no conflito. Com habilidade, McCaig delineia o mapa social dos Estados Unidos e a origem de sua divisão em classes raciais, situação visível até hoje.

Personagens que foram eternizados por Margaret Michtell voltam à tona sob o renovado olhar do historiador McCaig, como o casal Ashley e Melaine Wilkes; a jovem filha do feitor que caiu em desgraça e se transformou em cafetina, Belle Watling; e, claro, a apaixonante e passional Scarlett O’Hara, cuja trajetória é tão intricadamente similar à de Rhett Butler que a jovem demora a se dar conta do quanto ama aquele homem, tão voluntarioso e ousado quanto ela. Outros crescem de importância e ganham tramas paralelas, como Tunis Bonneau, o filho de escravos emancipados, cuja vida e destino estão interligados com os de Rhett; Rosemary Butler, sua doce e fiel irmã, companheira de toda a vida; e Andrew Ravanel, amigo inseparável de Rhett na juventude, que teve sua vida transformada pela guerra e a amizade destruída por ela.

Dessa história de sobrevivência e superação emerge um Rhett Butler tão convincente em sua provocação e arrogância, em sua paixão inabalável e princípios igualmente firmes, que o leitor quase pode tocá-lo, de tão verossímil. Com O clã de Rhett Butler, Donald McCaig escreve o desfecho definitivo para um dos maiores clássicos da literatura americana. Uma história imortal em que determinação, poder e amor traçam o destino de terras e pessoas.

Fonte: Editora Rocco

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O Clã de Rhett Butler é basicamente ...Eo Vento Levou contado sobre a perspectiva de Rhett. A estória começa antes do início de E o vento e acaba após o fim daquele livro.

A primeira coisa a ser dita é: não compare este livro com o original. Inevitavelmente ele sairá perdendo. E sejamos honestos, mesmo se a própria Margaret Mitchell tivesse escrito uma seqüência, esta não se compararia ao original.

(Claro, que se for analisar as personagens, esta *não* comparação se torna quase impossível.)
Com isso em mente, posso dizer que o livro é bom. Não ótimo mas bom. Acima da média, com certeza. O livro vai fazendo um traçado sobre Rhett (desde que era menino) e das pessoas ao seu redor. E ao fundo, tem-se a Guerra Civil Americana. Apesar de algumas passagens serem fortes (afinal, é a guerra), a leitura é descontraída e o ritmo é bem dinâmico. Aliás, dinamismo seja o maior defeito do livro. É tudo muito rápido, corrido até. Senti falta de um pouco de aprofundamento de sentimentos em vários momentos.
Muitas vezes, tive a impressão que eram todos (ou quase todos) meio que anestesiados.

Personagens

Rhett, ao lado de Melanie, era a minha personagem preferida de E o vento Levou. Ele tinha aquele charme sarcástico que eu sempre achei irresistível, já aqui...Não estou dizendo que desgostei dele nesta versão mas...apenas não o achei arrebatador. Em certos momentos, ele é quase um tolo apaixonado- e, honestamente, não consigo imaginar Rhett Butler como um tolo apaixonado.

Contudo, a personagem que mais desapontou foi a própria Scarlet. Obviamente, Scarlet não é uma dessas personagens adoráveis. Ela podia ser chata, irritante, egoísta...mas nunca monótona. E apesar de todos os defeitos dela, não há como não se admirar pela força de vontade dela. Aqui, eu a vi praticamente reduzida a uma sulista chata e mimada (minha má impressão só foi mudar, um pouco ao final do livro)
Como eu já havia mencionado, o livro é muito corrido em várias partes e dentre estas, o relacionamento entre Scarlet e Rhett. Se considerarmos apenas a leitura de O Clã, a química entre Rhett e Scarlet é praticamente inexistente.

Esta falta de química diminui ao final do livro, mas ainda assim, eu esperava um pouco mais do casal protagonista.
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Continuei gostando muito de Melanie, mas devo dizer que a personagem que mais me, por assim dizer, cativou foi Rosemary, a irmã de Rhett. Aliás, muitas vezes, ela era a personagem principal do livro. Achei-a uma personagem bem desenvolvida, não linear. Confesso que, em certos momentos, ela me irritava, mas foi então que eu percebi que eu a estava lendo com olhos atuais, com olhos de uma mulher atual. Olhando-a com um olhar diferente, de alguém do século 19, pude perceber pequenas nuances que não havia notado da primeira vez.

Eu senti por ela.

Assim como eu senti a emoção de em cada carta trocada entre ela e Melanie.

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No geral, posso dizer que gostei do livro. Como estória de amor, esperava um pouco mais. Contudo, se encararmos o livro como a saga de um homem em uma época tão conturbada, O Clã de Rhett Butler é um ótimo livro. A vida de Rhett é tudo, menos desinteressante.

*

Algumas partes são quase que angustiantes. São realmente terríveis, tristes. O livro mostra como a guerra pode transformar-e destruir- um homem.

E que qualquer um, tenha sido bom ou mal, bem ou mau criado, pode se transformar em um animal.

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Vale a pena a leitura.
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Cotação:

4/5
PS: Escrevi esta resenha um pouco às pressas, se você encontrar algum erro, por favor, me avise para que eu posso corrigi-lo. Obrigado.



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