quinta-feira, março 08, 2012

Dois Estranhos, de Sandra Brown [Maratona de Banca-Livro Reserva]

Título Original: Two Alone
Autor: Sandra Brown
Editora: Harlequin
Coleção: Rainhas do Romance 49
Gênero: Romance Contemporâneo
Sub-Gênero/Assunto: Romance de Banca, Amor e Ódio, Aventura
Período: Anos 80. EUA.
O veterano do Vietnã Cooper Landry possuía ressentimentos profundos em relação a mulheres atraentes. Ele já havia escapado de situações perigosas, e a queda de um avião no meio de uma floresta não seria o suficiente para colocar sua vida em risco. Rusty Carlson, linda executiva e segura de si, após o acidente experimentava o medo de estar sozinha em um lugar assustador e com um homem que a aterrorizava. Ela morreria, mas não dependeria da ajuda dele. Entretanto, predadores selvagens e humanos eram mais uma ameaça. Rusty e Cooper estariam preparados para se entregarem a um forte desejo enquanto lutavam pela sobrevivência?




Meu livro reserva para a Maratona de Banca deste mês, Dois Estranhos é um romance antigo de Sandra Brown que, apesar de alguns “datismos” (se é que existe esta palavra) consegue envolver, e prender, o leitor até o fim.

A premissa é conhecida, sendo quase um sub-gênero dos livros de romance e ou aventura: os dois únicos sobreviventes de um grave acidente precisam aprender a conviver, sozinhos e em ambiente hostil, apesar das enormes diferenças. Como aqui se trata de um livro de romance romântico, o envolvimento amoroso entre os protagonistas é quase que inevitável ( e muito aguardado, né? )

É muito comum que livros com este mote, que se galgam principalmente- e em grande parte da trama- na interação de apesar dois personagens e um só cenário, se tornem chatos e maçantes no decorrer da leitura, mas, felizmente, a autora consegue evitar isso, mesclando, na medida certa momentos de drama, romance e até um pouco de aventura. São nos momentos de tensão “aventurística” que percebemos o estilo da Sandra Brown dos livros de suspense.

Rusty e Cooper, os intrépidos protagonistas, são como água e vinho: ele é o tipo durão, beirando os quarenta, dono de um rancho, ex-combatente do Vietnã e que não tem as mulheres em altas contas; já Rusty é uma jovem milionária de 27 anos, moradora de Beverly Hills, corretora de imóveis e que não sabe o que é viver sem conforto. Obviamente o confronto será inevitável- assim como a paixão.

Eu não diria que Cooper é 100% “mocinho-vilão” . Se no outro livro que li para este mês, Força Estranha, o rapaz odiava uma mulher em específico; aqui, temos o que podemos chamar de grosseiro “geral”. Ou seja, ele odeia todas as mulheres. Em certos aspectos, Cooper é muito parecido com os grosseirões palmerianos mas em um nível menor. Mas como eu disse, ele não é 100% ogro, na verdade, penso que Cooper pode até ser bonzinho. Tudo bem, “bonzinho”é muito forte! Mas ele tem seus momentos de “bondade”. Afinal, ele, desde o início fica ao lado de Rusty, nunca a abandonando e até cuidado dos ferimentos da jovem. Cooper é na, verdade, chato. Não chato, no sentido enfadonho, mas chato que reclama de tudo. Qualquer coisinha é motivo para uma resposta atravessada. Haja paciência!

“Por puro reflexo, os braços musculosos a envolveram. Cooper experimentou a mesma sensação de impotência que sentiu da primeira vez em que a abraçou, enquanto ela chorava. Era pura insanidade tomá-la nos braços por qualquer motivo, mas seria muito cruel lhe virar as costas naquele momento. Portanto, embora em agonia e êxtase, puxou-a contra o corpo e enterrou os lábios na massa espessa de cabelos ruivos.

Quando falou, as palavras eram sinceras. Disse-lhe que sentia muito que aquilo tivesse acontecido com ela. Desejava que fossem resgatados e queria que ela voltasse para casa em segurança. Sentia muito que ela estivesse assustada. E que se houvesse algo que pudesse fazer para tirá-los daquele sofrimento, ele o faria..”

É claro que, invariavelmente, ou pelo menos em 90% das vezes, ao lado do chatão grosseirão, temos a mocinha tonta e “sonsolete” (e eis mais um neologismo by Thaís!rs). Rusty (sério, isso lá é nome de mulher?!) tem seus momentos de “chatice” e é um pouco chorona, mas não foi um personagem que me irritou. Cooper e Rusty foram construídos na medida certa- e a partir que vamos seguindo na leitura acabamos sabendo mais sobre os dois e, assim, compreendendo melhor suas personalidades.

Particularmente, eu prefiro os livros da fase atual de Sandra Brown (na sua grande maioria livros de suspense) mas Dois Estranhos é uma boa leitura. A autora melhorou muito a sua escrita no decorrer dos anos, mas neste livro (o qual, originalmente, ela assinou como Erin St. Claire ) já é possível perceber o talento da autora. Achei bem interessante que, apesar de se tratar de um livro “água com açúcar” , ela não deixou de mencionar as necessidades de limpeza e fisiológicas (nada nojento, não se preocupem!) dos personagens.

Eu não diria que se trata de um livro HOT mas a cenas de romance são bem descritas e, em alguns momentos, bem calientes. Apesar das diferenças, Cooper e Rusty possuem uma grande química. Não sei, sinceramente, se na vida real, seria um relacionamento desses certo a longo prazo, mas, no âmbito da fantasia os dois se completam perfeitamente. Rusty simplesmente se entrega mais facilmente à paixão, ao passo que, Cooper é mais reticente e muito-MUITO- cabeça-dura.

A edição do livro está okay, porém alguns detalhes me incomodaram, como um certo “puritanismo” na linguagem. Não sei se foi uma decisão da edição ou se estava assim mesmo no original (afinal, como já mencionado, este é um dos livros “antigos” da autora) mas o fato é que algumas passagens soaram estranhas sem a “presença” do palavrão ou da palavra de conotação mais sexual. Tudo era “ele xingou alto” , “sussurrou obscenidades”. As ‘palavras’ são mencionadas mas não descritas.

Em alguns momentos, como o do trecho abaixo, esse “cuidado com a linguagem” torna-se quase risível.

“Mike concordou com a cabeça.
— Enviarei uma mensagem pelo rádio, informando que foram resgatados. Muita gente tem procurado vocês. O tempo tem estado cruel. Desculpe, srta. Carlson.”
Sério, por que ele pediu desculpas a ela? Pelo uso da palavra “cruel”? Me pergunto qual foi a palavra usada originalmente pela autora.

Outro ponto que, por assim dizer, me “decepcionou” foi uma passagem de tempo, quase ao final do livro. Não me pareceu ter sido uma ‘edição’ da editora, mas sim uma escolha da autora- pois é , de certa maneira, explicado o que aconteceu no período. Porém, eu gostaria de ter lido o fato em si! Sem contar, que a meu ver, seria uma das cenas ‘clímax’ do romance.


Todavia, porém, contudo, entretanto, eu gostaria de terminar esta resenha falando sobre um assunto muito complexo e diria até, polêmico:

O BIGODE


Bigodex não dá. Aliás, bigodex NUNCA deu. Talvez no Tom Selleck/Magnum, mas mesmo assim...
 Cooper usa bigode. E não é qualquer bigode não! É dos grandes, fartos. Péssimo. Horrível, Totalmente anti-climático. E o pior de tudo é que o dito é mencionado váaarias vezes. Nem dá pra a gente 'fingir' que ele não existe! Em certo momento, Rusty até tem a oportunidade de eliminar o mardito mas...

Bigode NÃO!!! Graças aos Céus que a HQ resolveu não colocar um bigodudo na capa. 

Para vocês terem uma ideia de como bigode não dá! nem mesmo na capa original- e antiguinha- do livro o modelo usa bigode. Sério, algumas cenas de romance ficaram seriamente prejudicadas devido a presença peluda. Blégh!


De qualquer forma, Dois Estranhos é um bom divertimento, romântico e leve e que vale a pena a leitura.


***

Saiba mais sobre a Maratona de Banca . (Veja minha lista AQUI).


Outras Capas


Site da Autora: www.sandrabrown.net/



3.5/5


Ah! E Feliz Dia Internacional das Mulhers para todas nós! :)


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