sexta-feira, junho 28, 2013

A Doença de Haggard, de Patrick McGrath


Na Inglaterra pré Segunda Guerra, um médico apaixona-se pela mulher de um de seus chefes, cultivando um desejo obsessivo. Enquanto toma doses de morfina para aplacar seu amor, o leitor o acompanha os desenlaces de sua paixão.




“Minha vida continha dois tipos de momento, o tempo com ela e o tempo sem ela: um paraíso e um inferno..”


Forte, diferente e perturbador. Talvez esses sejam os primeiros adjetivos que me venham à mente ao falar de A Doença de Haggard. Porém, o livro é mais do que “apenas” esses três adjetivos.

Honestamente, não sei ao certo o que dizer sobre o livro. Talvez a história não tenha sido o mais importante mas a forma como ela é conduzida. Mentira. A história também faz toda a diferença. A história e o modo como é contada. Aliás, o como é contada é que faz toda a diferença.

A Doença de Haggard é um relato, em primeira pessoa. No início da Segunda Guerra, o jovem médico . Edward Haggard conta a sua história de paixão e loucura com a esposa de um de seus superiores. É um caso intenso- que trás sequelas psicológicas e físicas. Mas até aí, tudo bem. Não existe nada de “diferente” nisso, eu suponho. A questão é que Haggard é um viciado em Morfina e ao decorrer de seu relato, vamos notando como a visão dele pode estar distorcida.

“E eu me lembro de ter pensado, não, eu não serei solitário. Não me permitirei ser sufocado por saudades impossíveis de algo que deixara de ser real.”


É uma leitura estranha, mas extremamente fascinante, que deixa a gente completamente mergulhada naquele mundo. Por muitas vezes eu senti repulsa e também pena do protagonista. Ele é um apaixonado, no sentido mais patológico da palavra.

A Doença de Haggard me lembrou muito a escrita dos autores românticos do século XIX , principalmente Alvarez de Azevedo. É um livro sobre o amor e suas consequências. Incomoda. Quem já se apaixonou alguma vez, irá se sentir estranhamente próximo de Haggard.

“Pois , afinal, o que é o sexo a não ser um partir-se e fundir-se? A transformação de dois em um, a recuperação da unidade perdida, e foi isso o que vi naquela noite, que ela e eu éramos- somos- parte de um único todo.”

Eu nunca tinha lido nada desse autor, mas gostei bastante de seu estilo e a forma como ele conduz os acontecimentos. É uma leitura de vocabulário fácil, mas não simplista e apesar das poucas páginas, 211, não é um livro que se leia com rapidez, mas, sim pouco a pouco; como se a gente precisasse “digerir” os acontecimentos, ou melhor dizendo, a mente do protagonista- narrador.

Particularmente, eu gostei muito do livro. Principalmente por ter sido uma leitura diferente do que eu ando lendo ultimamente. Normalmente, eu não sou muito fã de livros que falam sobre adultério, porém, além de querer sair um pouco da minha zona de conforto, percebi que o livro não é exatamente sobre isso. O único senão talvez fique por conta do final. Achei um pouco abrupto, mas, pensando bem, acho que fez todo o sentido. E combinou com o clima gótico da obra.

A Doença de Haggard não é um livro para todos os gostos e públicos, mas eu acho que se você estiver disposto a ler algo, diferente, instigante, vale muito a pena a leitura.

Recomendo!


A Edição
A edição está bem cuidada, sem erros de revisão, pelo menos que eu pudesse notar. A minha única crítica é a capa. Se olharmos bem, dá para perceber que a figura está distorcida, o que faz todo sentido para quem leu o livro, porém ela pode dar uma impressão errada sobre o quê é o livro.

Título Original: Dr. Haggard’s disease
Autor: Patrik McGrath
Editora: Cia das Letras
Gênero: Romance Psicológico
Sub-Gênero/Assunto: Adultério, Médicos, Amor Proibido
Período: . Final dos anos 30, início da II GM. Inglaterra.

Este livro foi a minha leitura deste mês para o Desafio Literário. O tema era "Romance Psicológico".



Outras Capas:

4/5

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