segunda-feira, junho 24, 2013

Toda a Verdade, de David Baldacci



Shaw trabalha para uma agência secreta de inteligência e sua vida se resume a viajar pelo mundo à caça de bandidos perigosos. Abandonado ainda bebê, sem laços afetivos e nem mesmo um nome próprio, ele nunca se importou com o fato de não saber se chegaria vivo ao fim do dia. Até agora. 

Ao ver seus lucros diminuírem a cada mês, Nicholas Creel, dono da maior fornecedora de armamento militar do mundo, decide que é hora de provocar uma guerra. Para isso, contrata um especialista em manipular fatos e “criar a verdade”. Juntos, eles lançam uma campanha de difamação contra o governo russo, cujos efeitos são bombásticos. 

Em meio a tudo isso, Katie James, uma jornalista premiada que caiu em desgraça por causa do alcoolismo, tem acesso ao único sobrevivente do Massacre de Londres que pode lhe dar o furo capaz de mudar sua vida.


Enquanto as peças desse quebra-cabeça se juntam, Shaw parece ter pouco tempo para desarticular essa rede de intrigas e impedir que tenha início um conflito capaz de acabar com o mundo como o conhecemos.




Alguns livros parecem que foram feitos para serem transformados em filmes. Toda a Verdade é um desses livros e, ironicamente, até aonde eu sei, nunca fui adaptado para o cinema. O problema é que Toda a Verdade é o tipo da história, ou narrativa, que ficaria melhor somente nas telas do cinema.

Não foi um livro que me desagradou por completo, mas, sim, esperava muito mais.

A questão central do livro é muito boa; a ideia de simplesmente criar uma guerra para se tirar proveitos mercantis causa não só asco, mas um também um pouco de medo. Toda a Verdade mostra como todos nós podemos ser facilmente manipulados. As pessoas muitas vezes tendem a acusar as mídias “tradicionais” de serem manipuladas (vide os últimos acontecimentos em nosso país), mas não parecem perceber o quão fáceis podem ser manipuladas/manipuláveis pela internet.

O grande problema é a demora em “iniciar” a ação. A história mesmo só começa quase na metade do livro e até ali, apesar dos parágrafos curtos e de uma falsa sensação de “coisas acontecendo” , eu já estava me sentindo cansada da leitura.

Nesta primeira parte, o autor apresenta os fatos, um falso vídeo na internet que acaba causando uma crise internacional que pode culminar na terceira guerra mundial, e três personagens centrais Shaw, uma espécie de agente secreto, Nicholas Creel, dono de uma fornecedora de armamento militar e Katie James, uma repórter alcoólatra e em decadência.

É uma primeira parte que parece não terminar nunca; afinal esse era um thriller, um livro de ação... e aonde estava a ação? As colocações iniciais eram pertinentes mas se estenderam muito. Quando o *fato* acontece, confesso que parte de mim até ficou feliz. O livro finalmente tinha começado!
E quando começa, começa mesmo! A história parada do começo toma outros contornos. O ritmo fica completamente frenético e impossível de largar a leitura. É o típico caso do “fim que salva o começo.”

David Baldacci cria uma história bem amarrada e com personagens interessantes mas não inesquecíveis. Senti que ele resvalou um pouco em personagens clichês de thrillers. Nicholas Creel é o clichê ambulante de um super vilão de filmes do James Bond. Ou de qualquer desenho ou quadrinho do Batman. Ricão e Mauzão. Tinha até um submarino! Só faltava um dente de ouro! É uma da daquelas situações em que no somente no cinema, aquilo ficaria minimamente plausível. Ou menos risível. Na tela grande, com os efeitos e tudo mais, a gente muitas vezes passar passar a absurdidade da situação, mas lendo... o vilão torna-se ridículo.

Shaw, o herói, é um personagem interessante, sem nome, praticamente “programado para matar” e “preparado para morrer”. Eu me simpatizei com ele, sim, mas o achei muuuito parecido com o G. Callen do seriado NCIS-LA.

Os melhores personagens, sem dúvida, foram Katie e Frank, o chefe de Shaw. Katie foi ,a meu ver, a personagem que mais cresce na trama. Ela não é uma super-heroína, mas apesar de todas as falhas consegue lutar, apesar de algumas- muitas- quedas no caminho. Frank, eu ainda não sei se odiei muito ou só um pouco.

Em Suma, Toda a Verdade , apesar do começo morno e de algumas imperfeições da trama, é uma leitura que entretém, e de certa maneira, faz pensar. Só por isso, acho que já vale a pena. Fãs do gênero devem gostar.

Acima da média.


A Edição
Infelizmente, a edição deixou bastante a desejar. Além de vários problemas de grafia e concordância verbal, em algumas passagens os nomes dos personagens eram trocados, causando confusão. Além disso, eu não aconselho a ler a sinopse oficial (quarta capa e, principalmente, a orelha do livro). Achei que a editora revela DEMAIS. Na sinopse que coloquei nesta resenha, eu fiz alguns *cortes*.


Título Original: The Whole Truth
Autor: David Baldacci
Editora: Arqueiro
Gênero: Thriller
Série: Shaw- Livro 1
Sub-Gênero/Assunto: Romance Contemporâneo, Espionagem, Jornalistas
Período: Nova York EUA, dias atuais.
A Série

Livro 1- Toda a Verdade
Livro 2- Deliver Us From Evil- honestamente, não sei se já foi lançado no Brasil

Outras Capas:






Este livro foi minha leitura para o tema 2 do Desafio Realmente Desafiante-
Indicação de um amigo. 


3.5/5

Reações:

1 COMENTÁRIOS:

Ah, entendo perfeitamente o que você quer dizer... já me deparei com livros que deveriam ter sido apenas roteiro...
Uma pena ><
Como tenho muita coisa para ler, passo!


Beijos,
Nanie