segunda-feira, abril 21, 2014

A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak


A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.



Não gostei, pra dizer o mínimo. E nem foi uma questão de expectativas. Altas ou Baixas. Este foi um daqueles raros casos em que eu sabia muito pouco sobre o livro antes de ler; sabia que se passava durante a Segunda Guerra e quem narrava a história era a Morte. Só. A verdade é que fiquei curiosa por causa do filme (que, a propósito, eu gostei, apesar do carisma ZERO da protagonista) e como a minha mãe tinha em casa...

Bem, comecei a leitura sem esperar muita coisa- o que foi ótimo, senão minha decepção teria sido ainda maior. A Menina Que Roubava Livros foi um dos livros que mais demorei para terminar de ler e, sério, só não abandonei na metade porque me forcei a ler a te o final. Forçar é a palavra chave aqui.

Claro que eu não detestei tudo no livro. Achei interessante o fato de a Morte ser a narradora. Além disso, inicialmente, me agradou o fato da história se passar numa cidade da Alemanha, sob o ponto de vista Alemão.

Bem, foi isso que eu gostei no livro- e devo dizer que, ao final, só o fato de a Morte ser a narradora é que se provou interessante realmente.

O meu problema com Amenina que Roubava Livros já começou – e terminou- com o estilo do autor. Não gostei nenhum pouco. Achei truncado e, principalmente, muito pretensioso. Parecia que cada frase estava destinada a ser “memorável”, a “emocionar”. Não gosto disso. Prefiro um estilo mais solto e, principalmente, mais verdadeiro. Sem contar que me irritava profundamente a inserção SEM FIM de palavras alemães no texto. Eu adoro a língua alemã. Eu estudo Alemão! Mas aqui ficou tão forçado! A família era Alemã, falando alemão na Alemanha. Pra quê, enfiar tantas palavras alemães no texto?! Um Nein ou uma hora ou outra, para dar a sensação de inserção, tudo bem, mas toda hora ficou péssimo.

Sim, sinto muito, mas achei o livro chato demais. Talvez eu até tivesse relevado algumas "questões" se o livro fosse menos CHATO.

Como eu disse anteriormente, eu gostei da “Morte Narradora”, porém esse artifício narrativo acabou transformando a Morte na única personagem verdadeiramente humana do livro. Eu li em uma outra resenha que as Personagens do livro eram autômatos, sem vida. Não posso discordar. Autômatos e unidimensionais. Liesel, a tal que roubava livros, é de uma falta de carisma e sentimentos que me irritou terrivelmente. Talvez o autor quisesse mostrar a inocência infantil perante o horror da Guerra, não sei. Penso que, se esse foi o caso, ele deveria ter assistido ao filme “Adeus, Meninos”- este sim um ótimo retrato da infância na Segunda Guerra.

Obviamente o livro está recheado de momentos “emocionantes”, como a amizade com a mulher do prefeito e o clichê “Judeu no Sótão”, porém, o autor tinha tantas coisas mais que poderiam ser exploradas! Essa copia descarada de “Anne Frank” só fez piorar o que já estava ruim.

Mas, sabe, o que mais me incomodou em A Menina Que Roubava Livros foi a forma como a Segunda Guerra, mais especificamente, a Segunda Guerra na Alemanha- sob o ponto de vista de uma família alemã, foi retratada. EXTREMAMENTE Superficial. E aqui, no quesito superficialidade soma-se a minha opinião à respeito dos personagens; unidimensionais.

Eu cresci ouvindo histórias sobre a Segunda-Guerra, minha família foi extremamente afetada por esse conflito. Desde meus avós que já moravam no Brasil, mas, por serem alemães foram expulsos de Santos, até tios, bisavós e outros parentes que moravam na Alemanha. A casa da minha família em Hamburgo foi destruída no famoso Bombardeio dos Aliados. Eu me lembro da minha avó lendo as cartas da família, contando que não havia mais casa; na verdade, não havia mais nada. Meus avós contavam como foi fácil para Hitler seduzir o povo. O povo queria ser seduzido. Faltava tudo e aquele homem parecia ser o grande Salvador. Eu ouvi sobre a difícil relação com os Judeus (como num dos raros momentos acurados do livro em que o pai de Rudy pensa que não desejava mal aos Judeus, mas gostava do fato de não tê-los mais como concorrentes.)

Eu tenho até hoje uma foto de meus avós sentados ao lado de uma bela moça de cabelos claros. Lembro que certa vez perguntei a minha avó quem era aquela mulher. Minha avó respondeu que era uma das melhores amigas da irmã de meu avô. Na foto, de 1937, ela estava sorrindo, alegre. Poucos anos depois, ela se mataria. Era judia- e foi convidada para uma “viagem de trem”.

Lembrando dessas e de tantas outras histórias que meus avós contavam (o que não era fácil para eles, pois a II GM ainda é- e sempre será- uma grande mancha na História da Alemanha) e todo sentimento empregado em cada palavra, eu esperava ao ler A Menina que Roubava Livros algo, no mínimo, similar. Encontrei apenas pretensão- e vazio.

(Além da chatice)

***
E só pra constar, Kristallnacht é (ou foi) “A Noite dos Cristais”, senhor tradutor; JAMAIS “A noite das vidraças quebradas”. Affe.

Título Original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrinseca
Gênero: Romance Histórico
Sub-Gênero/Assunto: Drama, Guerra.
Período: Segunda-Guerra Mundial. Alemanha.
Outras Capas:





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