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quarta-feira, janeiro 08, 2014

Gritos do Passado, de Camilla Läckberg

Em uma manhã do início do verão, um garoto sai para brincar na praia, na cidade de Fjällbacka. Porém, suas brincadeiras são interrompidas de maneira abrupta quando ele encontra o cadáver de uma jovem nua. A polícia é chamada à cena e não demora muito para concluir que a mulher fora assassinada. O mistério aumenta quando os policiais descobrem que embaixo do corpo da mulher foram colocados esqueletos de outras duas jovens dadas como desaparecidas desde o final dos anos 1970. Para juntar as peças desse quebra-cabeça, o policial Patrik Hedström é designado como chefe da investigação, o que o obriga a abandonar suas férias e sua esposa, Erica Falck, grávida de seu primeiro filho. Erica, porém, não consegue ficar sem se envolver e, mesmo nas últimas semanas de gravidez, decide ajudar Patrik pesquisando informações na biblioteca local. A partir daí, novas revelações começam a dar forma à investigação: os esqueletos podem ser de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos. 



Sempre achei difícil, complicado, resenhar romances policiais. Tenho medo de , ao tentar passar minhas impressões sobre a leitura, acabar “soltando”algum spoiler. Penso que, em livro de mistério/suspense qualquer spoiler é crucial e é por isso que quanto menos se souber da história, melhor. Até a sinopse oficial, eu dou umas “editadas”. Sério, acho que elas contam DEMAIS sobre o livro.

E por que eu estou dizendo isso? Porque uma resenha de livro policial é mais sobre as minhas sensações, impressões, sobre a leitura do quê uma discussão sobre a obra em si.

Gritos do Passado é o segundo livro protagonizado pelo investigador Patrik Hedström. Patrik está de férias quando o chamam para investigar o aparecimento de um corpo. Seria mais um caso comum, ideal para Patrik melhorar seu tédio naquele quentíssimo verão Sueco (sim, eu sei que “quente”, “verão” e “Suécia” não combinam mas a história se passa em um período de extremo calor) se não tivessem descoberto, embaixo do corpo encontrado, duas outras ossadas, que podem ser de duas garotas desaperecidas há 20 anos. Além disso, neste ínterim, uma adolescente de 17 anos desaparece.

É aí que começa a corrida contra o tempo.

Como o título nacional já sugere, os crimes do presente estão intimamente ligados com questões do passado. E assim como em seu livro anterior, A Princesa de Gelo, mais uma vez, muitas gente tem algo a esconder.

Gritos do Passado é um suspense “quem matou?” com algumas peculiaridades. Não é centrado numa mansão no interior da Inglaterra, nem num trem de luxo, mas os personagens circulam como se estivessem em um grande tabuleiro de xadrez. Claro, alguns desses personagens são apenas “âncoras” mas eles servem para contrabalancear e, sim, afetar, a vida dos protagonistas.

E falando em protagonistas, Patrik continua do meu agrado. Gosto do seu jeito mais verdadeiro e não idealizado como herói sem falhas ou lindo de morrer. Ele é uma pessoa real, com problemas reais. Ao mesmo tempo em que fica cada vez mais obcecado com o caso, preocupa-se com Erica, sua esposa grávida de 8 meses e que não pode sair de casa. Aliás, se teve algo, no enredo, que eu não gostei, foi o pouco aproveitamento de Erica na trama. No livro anterior, ela era praticamente a personagem principal, aqui, transformou-se em mais um coadjuvante de luxo ( e falando em coadjuvantes, tô pegando muita birra da irmã dela!). Ela passa praticamente o livro todo tentando se livrar de visitas indesejáveis (sério, sueco é povo meio mal educado hein?) Outro ponto que eu também não me agradou foi a solução dada a... bem, não posso falar, obviamente, mas devo dizer que não gostei!

Em A Princesa de Gelo me incomodou o fato de quê algumas pistas só eram descobertas pelos personagens, deixando os leitores no escuro. Aqui, ocorre o contrário. Achei a tática bem interessante, apesar de dar uma certa agonia em saber mais do quem está “no livro”.

Não vou dizer que Gritos do Passado foi o melhor romance policial que eu já li, porque obviamente não foi, mas ele cumpre com louvor o seu papel de entreter e prender a atenção. Eu gosto da escrita de Camilla Lackberg; é um estilo direto, porém não desprovido das descrições necessárias para nos ambientarmos melhor na história. Ela mescla cenas do passado e do presente, nunca tornando a leitura confusa ou cansativo. Além disso, a trama faz sentido e as peças se encaixam no final. E mesmo que a gente chegue a pensar que algumas pontas ficaram soltas, a resposta aparece.

Eu gostei muito do fato de quê a trama não foi totalmente focada na investigação policial; ao decorrer da trama, assuntos pertinentes vão surgindo. A autora fala de morte e sequestro, mas também de fanatismo religioso e relações familiares. Os personagens são humanos, dignos de pena, raiva e , também, admiração.

Para quem gosta de um bom romance policial, Gritos do Passado é uma ótima pedida.


*
Só devo lembrar que a série deve ser lida na ordem. Apesar d’os casos policiais terem começo, meio e fim, os acontecimentos nas vidas pessoais dos personagens tem uma sequência- e consequências (além disso, vale lembrar, toda vez que alguém diz “não ligo em ler fora da ordem” está dando carta branca para que as editoras publiquem séries fora da ordem e/ou com livros faltando. Pense nisso.)
*


Recomendo!

Título Original:
Autor: Camilla Läckberg
Editora: Planeta
Gênero: Romance Policial
Série: Patrik Hedström- Livro 1/8 -Livro 2/8
Sub-Gênero/Assunto: Serial Killer, Crime e Mistério
Período: Atual. Fjällbacka, Suécia.

A Série


Livro 1-A Princesa de Gelo [RESENHA]
Livro 2-Gritos do Passado
Livro 3-O Cortador de Pedras
Livro 4-O estranho
Livro 5- The Hidden Child- Inédito no Brasil
Livro 6- Sjöjungfrun -Inédito no Brasil
Livro 7- Fyrvaktaren -Inédito no Brasil
Livro 8- Änglamakerskan- Inédito no Brasil
* Mord og mandelduft (livro paralelo, faz parte do mesmo universo, pelo o que eu entendi. )- Inédito no Brasil

Mais Informações no Goodreads

Outras Capas:
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Gostei bastante da capa espanhola.

4/5

quarta-feira, outubro 16, 2013

A Princesa de Gelo, de Camilla Läckberg


De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir. Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou. Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos e ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador.




Primeiro livro que leio da autora sueca Camilla Läckberg e não me arrependi.

Com um estilo que mistura dramas pessoais, suspense e um toque de romance, A Princesa de Gelo é um exemplar mais light da literatura policial nórdica, mas nem por isso menos interessante ou contundente.

O livro já começa com a descoberta de um corpo. A bela Alexandra “Alex” Wijkner é encontrada morta em sua banheira por sua ex-melhor amiga de infância, a biógrafa Erica Falck. À principio, suspeita-se de suicídio mas logo fica provado que Alex foi assassinada.
Erica, num misto de curiosidade quase profissional de escritora e uma vontade de , alguma forma, tentar se reconectar com a amiga de infância, vai atrás de peças para solucionar o mistério. É claro que, ela, uma simples civil, não tem nenhum poder oficial. É aí que entra a figura de Patrik Hedström, instigador de polícia, divorciado, que já foi apaixonado por Erica quando eles eram adolescentes.

A Princesa de Gelo entra naquela categoria de romances policias que se passam em pequenas cidades e um crime brutal acaba trazendo à tona diversas questões dos habitantes locais. É a velha questão dos segredos sendo desenterrados. Sim, eu digo “velha questão” porque isso é algo que já foi vista em vários outros romances do gênero, mas não quer dizer que é mal empregado aqui. Muito pelo contrário.

A autora vai formando, desde o primeiro capítulo, uma espécie de networking, uma rede de pessoas, que, de uma forma ou de outra, estão- ou estavam- envolvidas com Alex.

Na capa do livro está escrito “Rainha do Crime” e o título “a nova Agatha Christie” é por muitas vezes mencionado na imprensa para descrever Camilla Läckberg. Não é preciso forçar a amizade, porém eu gostei muito como ela juntou a investigação policial em si com os dramas pessoais dos personagens; são pequenas cenas do cotidiano que vão formando um cenário maior e muitas vezes dão pistas sobre o caráter dessas pessoas e principalmente a forma como elas lidam com a adversidade.

Além do tema morte em si, A Princesa de Gelo fala também sobre abuso, vício e erros. Porém, eu não achei o livro uma leitura pesada, apesar de tudo. Penso que o principal motivo para isso é o “alívio romântico” da relação de Erica e Patrick. Erica pode até ser um pouco parecida com algumas protagonistas de romances policias americanos: bela, jovem e enxerida. Porém Patrik não é nada como os “galãs” que estamos acostumados. Ele é inteligente, corajoso, sim. Mas está longe de ser um deus grego, sexy e atlético e cheio de si.

Gostei dele.

[O livro tem este “lado romântico”, porém o foco dele é a investigação policial.]

A Princesa de Gelo foi uma leitura de ritmo agradável, como um romance policial deve ser. Eu gostei que a autora não tentou fazer tudo uma corrida contra o tempo, mas também não ficou se demorando em descrições infinitas. Eu gosto de equilíbrio, o ponto onde há ação mas onde também eu possa "sentir" os personagens. Não devo negar que, porém, por muitas vezes senti uma sensação de angústia como se por medo que algo de ruim pudesse acontecer. Vá entender.

O ponto que mais deixou a desejar na leitura foi a investigação em si. Ou como os personagens chegavam às conclusões de certos fatos. Eles descobriam algo, mas esta descoberta não era compartilhada com o leitor. Eu gosto de participar do processo de investigação. Da pista deduzida, encontrada. Senão, ao final, parece que a solução apareceu do nada.

De qualquer maneira, A Princesa de Gelo é uma é uma ótima leitura. Não vejo a hora de ler os outros livros da série.

Recomendo.

A Edição

A Princesa de Gelo é um livro que teve muitos problemas com a edição. Diversas pessoas reclamaram da péssima qualidade da revisão e da quantidade enorme de erros que havia no livro. Por esse motivo, pelo que me consta, a Planeta chegou a fazer um recall dos livros “danificados” nas livrarias e publicando/lançando uma segundo edição revisada. Foi esta segunda edição que eu li. Ainda pude encontrar alguns pequenos errinhos, mas nada gritante. Por isso, se vocês forem comprar esse livro, verifiquem se o mesmo tem na capa um pequeno selo avisando que é a Segunda Edição Revisada.



Título Original: The Ice Princess
Autor: Camilla Läckberg
Editora: Planeta
Gênero: Romance Policial
Série: Patrik Hedström- Livro 1/8
Sub-Gênero/Assunto: Suspense Romântico, Crime e Mistério, Abuso,
Período: Contemporâneo. Suécia.

A Série
Livro 1-A Princesa de Gelo
Livro 2-Gritos do Passado
Livro 3-O Cortador de Pedras
Livro 4-O estranho
Livro 5- The Hidden Child- Inédito no Brasil
Livro 6- Sjöjungfrun -Inédito no Brasil
Livro 7- Fyrvaktaren -Inédito no Brasil
Livro 8- Änglamakerskan- Inédito no Brasil
* Mord og mandelduft (livro paralelo, faz parte do mesmo universo, pelo o que eu entendi. )- Inédito no Brasil

https://www.goodreads.com/series/44263-fj-llbacka

Outras Capas:


4/5

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Qualquer erro, favor avisar para que eu possa corrigir! :)

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