Mostrando postagens com marcador Romance Policial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Romance Policial. Mostrar todas as postagens

domingo, março 22, 2020

[Resenha] O Caso Saint-Fiacre, de Georges Simenon


“O comissário Maigret volta à sua cidade natal, onde ainda se mantém de pé o velho castelo em que seu pai trabalhou como administrador e onde ele, Maigret, passou toda a infância. Vai investigar a misteriosa morte da condessa de Saint-Fiacre, proprietária do castelo. Ao analisar o crime, cometido em plena missa de Finados, Maigret precisa encarar a decadência dos poderosos Saint-Fiacre e rever figuras que povoaram sua infância”



História clássica de detetive.

Apesar de amar a literatura de suspense e de meus avós terem alguns livros dele na estante, eu não me lembrava de ter lido algo de Simenon.
Ando muito sem tempo ( e paciência) ultimamente mas resolvi dar uma chance a uma edição de bolso que estava esquecida aqui em casa, atraindo poeira. Sabe, é bom, de vez em quando, pegar conhecer escritas novas.

Tudo se inicia quando o comissário de polícia, Maigret, recebe um bilhete dizendo que uma morte irá acontecer durante a missa de finados na igreja da pequena cidade de Saint-Fiacre. O bilhete em si já seria algo insólito, mas aquela não era uma cidadezinha qualquer; era a cidade natal do comissário e de onde ele não havia retornado fazia muito anos. Claro que ele vai à cidade; claro que uma morte acontece. E, em volta disso, muitos suspeitos, motivos e alguns fantasmas do passado.

O Caso Saint-Fiacre segue a cartilha dos romances policiais clássicos: uma morte, muitos suspeitos e um detetive/investigador atrás da verdade. O estilo de Simenon não tem a finesse de Conan Doyle nem a sagacidade de Agatha Christie, mas ele consegue manter até a última página o clima de mistério. Eu apenas me incomodei um pouco com o formato da prosa. Não sei se algo vindo do original, ou da tradução, mas por vezes, a escrita me pareceu confusa. Em alguns momentos, eu simplesmente não sabia quem era o interlocutor dos diálogos. Nada que realmente atrapalhasse a história, mas tornava sim, a leitura mais lenta.

Não espere nada extraordinário ou original, apenas uma boa história de mistério; uma cidadezinha cheia de segredos e um bando de personagens com muita coisa para esconder.

Uma boa pedida para passar o tempo!

Título Original: L'Affaire Saint-Fiacre
Autor: Georges Simenon
Editora: LM/Nova Fronteira
Série Maigret
Gênero: Suspense
Sub-Gênero/Assunto: Mistério, Crime, Detetive
Período: Anos 30. Bélgica.


3.5/5
 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

terça-feira, agosto 13, 2019

[Resenha] A Garota No Gelo, de Robert Bryndza



“Seus olhos estão arregalados... Seus lábios estão entreabertos... Seu corpo está congelado... Mas ela não é a única. Quando um jovem rapaz encontra o corpo de uma mulher debaixo de uma grossa placa de gelo em um parque ao sul de Londres, a detetive Erika Foster é chamada para liderar a investigação de assassinato. A vítima, uma jovem e bela socialite, parecia ter a vida perfeita. Mas quando Erika começa a cavar mais fundo, vai ligando os pontos entre esse crime e a morte de três prostitutas, todas encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres. Que segredos obscuros a garota no gelo esconde? Quanto mais Erika está perto de descobrir a verdade, mais o assassino se aproxima dela. Com a carreira pendurada por um fio depois da morte de seu marido em sua última investigação, Erika deve agora confrontar seus próprios demônios, bem como um assassino mais letal do que qualquer outro que já enfrentou antes. ”

Suspense no estilo clássico.

Ultimamente tem surgido uma onda de livros de suspenses psicológicos, geralmente escritos numa primeira pessoa do sexo feminino e com narrativas não lineares. É um método narrativo interessante e válido. Porém, na busca de ser um/uma novo(a) Gillian Flynn (autora de Garota Exemplar, que eu detestei), autores vem cometendo excessos. O suspense muitas vezes é deixado de lado em prol de uma escrita “diferente”. Por isso, foi com ótimos olhos (e renovada esperança!) que comecei a leitura de A garota no gelo.

E não me decepcionei.


A garota no gelo é um suspense policial clássico, onde existe uma morte e uma detetive capaz de (quase) tudo para desvendá-la. Escrito de maneira linear, a história concentra-se na morte de uma jovem da alta sociedade londrina. Encarregada da investigação está a detetive Erika Foster.
Estrangeira e com seus próprios demônios para assombrá-la, a policial vê-se no meio de um mundo de aparências e politicagem e onde até a força policial parece estar contra ela.

Não se deve esperar nada muito original no decorrer da trama, mas isso foi uma das coisas que mais me agradaram. Claro, o psique da protagonista é posto em destaque várias vezes, mas o principal aqui é o mistério. É ele, o “quem matou” que permeia todo o livro e faz com que a leitura seja intensa e gratificante. É aquele tipo de livro que a gente lê “numa sentada só”.

E apesar do estilão clássico, o autor não apela para a obviedade. Os personagens são bem construídos e a história faz sentido. Tudo se encaixa.

Não é uma leitura inesquecível e, com certeza, não é meu romance de suspense favorito, mas, cumpre bem o seu papel: o de entreter.

Vale a Pena a Leitura!


Título Original: The girl in the ice
Autor: Robert Bryndza
Editora: Gutenberg
Série Erika Foster- Livro 1
Gênero: Romance Policial
Sub-Gênero/Assunto: Crime e Mistério, Detetives, Thriller
Período: Atual. Inglaterra.


4/5



 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

segunda-feira, abril 22, 2019

[Resenha] Em Águas Sombrias, de Paula Hawkins


“Novo livro da autora do best-seller internacional A garota no trem. Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente. Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã, Jules, que não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre. Mas ela está com medo. De seu passado há muito enterrado e por saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos… ”




Confuso.

O Suspense/Policial é um dos meus gêneros literários favoritos, se não *o* favorito. E, por isso, talvez, eu seja exigente com essa literatura. Quando se lê muito de um gênero, a gente acaba por querer algo diferente de vez em quando- e “diferente” foi o que me atraiu no livro em primeiro lugar.

Diferente foi o que me prometeram. E até foi cumprido, mas não no bom sentido.
Em águas sombrias parte de um caso de afogamento. Acidente? Suicídio? Assassinato? Narrado por diversos pontos de vista, o mistério do livro parece não ter a menor a importância. Até aí tudo bem (ou quase). O problema é que os personagens, muitos e “desconectantes”, também não surtem qualquer tipo de interesse. É tudo extremamente monótono e sem graça. Como suspense psicológico é raso pois não se aprofunda em nada e como mistério simplesmente não prende a atenção.

Cansativo e repetitivo, o livro ainda apresenta alguns elementos “místicos” que não acrescentam nada e não fazem o menor sentido.

No final, a autora ainda tentou dar uma última cartada, surpresa da última linha (por isso, não vá bisbilhotar o final do livro, tá?) mas tudo foi tão sem emoção e blasé que nem isso causou qualquer impacto. Simplesmente, eu não dei a mínima. Só fiquei feliz por simplesmente, e finalmente, terminar a leitura.

O único ponto positivo, a meu ver, foi a ideia inicial do romance. Penso eu, que se tivesse sido mais bem executada teria produzido um livro muito mais interessante.

Decepção.

Título Original: Into the water
Autor: Paula Hawkins
Editora: Record
Gênero: Suspense Psicológico
Sub-Gênero/Assunto: Romance, Humor
Período: Atual. Inglaterra.


2/5

 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

segunda-feira, junho 04, 2018

[Resenha] Uma Mentira Perfeita - Lisa Scottoline

“Chris Brennan acaba de se mudar para Central Valley, na Pensilvânia. Ele veio atrás de um emprego como professor substituto e treinador de beisebol na escola de ensino médio local, com um currículo impecável e boas maneiras que só um bom homem poderia ter. Mas tudo sobre ele é uma mentira. Seu nome é um pseudônimo, seu currículo é falso. E ele veio para a cidade com um plano, que a princípio é perfeito – e para cumpri-lo, precisa ficar de olho no time de beisebol.
Encontrar o que precisa para cumprir seus planos não deve ser tarefa difícil, e Chris foca sua busca em três meninos cujas vidas (e as de suas mães) giram em torno do time: Raz Sematov, o arremessador, um menino geralmente alegre e bem humorado que acabou de perder o pai; Evan Kostis, que é rico, mimado e problemático além de ser a sensação do time, e Jordan Larking, o novato, um garoto tímido e reservado.
Encantador e repleto de suspense, A mentira perfeita é um incrível thriller emocional, uma história criminal suburbana que prende os leitores até o final, com reviravoltas impressionantes e personagens que você não esquecerá facilmente. ”



Surpreendente.

Realmente surpreendente.

Quando comecei a ler Uma Mentira Perfeita, eu não sabia muito o que iria encontrar. A sinopse oficial não diz muita coisa, o que é ótimo.

Não há muito o que dizer sobre a trama em si, sem entregar muita coisa. Chris Brennan, o recém-chegado professor substituto e auxiliar do time de baseball de uma escola de ensino médio numa pequena cidade americana. Jovem, bonito, simpático. Chris logo conquista a todos. O problema é que ele não é exatamente quem diz.
Ele tem um plano. E três alunos, jogadores do time, são essenciais para que o que quer que Chris planeje.

O interessante é que, assim como os personagens não sabem sobre as verdadeiras motivações de Chris, nós, leitores, também não sabemos. Tudo, fica a cargo da suposição. De início, Uma Mentira Perfeita lembra muito tantos outros dramas famílias passados nos subúrbios americanos.

Ao detalhar o drama pessoal de cada um dos três alunos, a autora mostra que qualquer que sejam os planos de Chris ele afetará não somente a vida de três adolescentes mas também de suas famílias.

É uma interessante mistura de suspensa e drama familiar que faz com que a gente se sinta presa na leitura, louca para saber o que vai acontecer. Eu gostei muito que Chris é um personagem extremamente humano mas misterioso. Em determinado momento, eu não sabia se torcia por ele, ou o temia.

Herói ou Vilão?

Em sua primeira metade, como eu já havia mencionado, o equilíbrio entre drama e suspense ´é ótimo, porém, na parte final do livro, senti que o ritmo caiu um pouco. Não, melhor dizendo, o ritmo não caiu mas mudou um pouco de foco. Além disso, achei um pouco desnecessário o toque “romântico” (só pra lembrar, este não é um suspense romântico, tá?!).

De qualquer maneira, esta foi uma leitura incrível, cheia de mistérios e reviravoltas e personagens interessantes. Personagens sem papeis pré-definidos, humanos e misteriosos. Assim como Chris é fascinante, os três adolescentes, em momento algum são descritos de forma estereotipada. O mesmo vale para suas famílias, ou mães, que apresentam papéis que parecem já ser conhecidos em tantos outros dramas famílias, mas que aqui se apresentam de forma única. Mais do que simplesmente uma história de mistério, o drama humano se fez muito presente e isto fez toda a diferença.


Não conhecia a autora, mas é alguém para se ficar de olho. Definitivamente.

Claro que recomendo!

Título Original: One Perfect Lie
Autor: Lisa Scottoline
Editora: Harper &Collins Brasil
Gênero: Romance Policial
Sub-Gênero/Assunto: Thriller, Suspense, Falsa Identidade, Homens da Lei
Período: Atual. EUA.
Capa Original:



4/5
 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

terça-feira, julho 18, 2017

[Resenha] Boneco de Pano - Daniel Cole


“Um corpo.
Seis vítimas.

O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.

Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.

Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.

Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.”



Instigante.
Quando eu recebi Boneco de Pano eu não sabia muito bem o que esperar; na verdade, quando se trata de romances policiais/suspenses quanto menos se souber antes de começar a leitura, melhor. Isto torna escrever a resenha ainda mais complicado.

Tudo se inicia com um julgamento.

Não, existe um “corpo”é descoberto. Um “boneco” grotesco formado pelas partes de 6 diferentes corpos.

Ligado a isso, uma lista com seis futuras vítimas. Um policial com sérios problemas psicológico. Uma jornalista em busca da “grande chance”em sua carreira.

Boneco de Pano”é uma mistura de filme policial padrão com CSI, onde a vida perturbada de seus personagens está intrinsecamente ligada à investigação. É aquele tipo de história em que tudo tem uma razão de ser, por mais desconexa que pareça.

Ao mesmo tempo em que o caso em si é instigante, bem original e prende bastante a atenção, o que vemos no decorrer da trama que o centro da história é o detetive Willian “WOLF” Fawkes. De certa maneira, tudo gira em torno dele. Wolf é aquele tipo de personagem intenso e falível mas que, não sei bem explicar o por quê, repele um pouco o leitor.

É um estranho fascínio.

Além disso, é interessante notar a crítica nem um pouco sutil a imprensa e sua “sede”de escândalos. Boneco de Pano tem uma história muito interessante, bem construída e com boas virada. Tudo se encaixa perfeitamente, exceto por um detalhe (que, confesso, me deixou na dúvida #spoiler)

Não foi o melhor romance policial que li, mas a escrita agradável e a história bem original, tornaram a leitura muito boa.

Muita ação e bons personagens.

Ah, e um final frustrante.

Recomendo.


**Livro cedido gentilmente pela Editora**


Título Original: Ragdoll
Autor: Daniel Cole
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance Policial
Série: Detetive William-Fawkes- Livro 1
Sub-Gênero/Assunto: Serial Killer, Crime e Mistério, Suspense, Homens da Lei
Período: Atual. Londres, Inglaterra.


4/5
 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

segunda-feira, março 06, 2017

[Resenha] Ninféias Negras- Michel Bussi


“Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.

É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas.

Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.”



"Num vilarejo, viviam três mulheres.
A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.
O vilarejo tinha um belo nome de jardim. Giverny.
”
Não sei o que dizer.

Sério mesmo, não sei o que dizer. Na verdade, nem sei muito bem o que pensar sobre Ninféias Negras.

Se eu gostei do livro? Com certeza.

Talvez, por isso, a melhor maneira de começar essa resenha seja justamente pela primeira frase do livro. Ou frases. Ela resume bem o que é mais importante nessa história.
Três mulheres.

Um belo vilarejo no interior da Franças.
E, claro, um crime.

Em Giverny, cidade eternamente relacionada à Claude Monet, acontece um crime. Ou pelo menos, surge um corpo. Assassinato, com certeza. O morto, um ilustre médico da cidade. Para investigar o crime é chamado um jovem investigador de fora, Laurenç Sérenac.

É um crime aparentemente sem solução, onde a vítima não tinha o melhor dos caráter e um cartão de aniversário para uma criança de 11 parece estar totalmente fora de contexto. É aí que nos deparamos com as três mulheres.

Fanette, uma menina que sonha ser pintora. Como Monet.

Stephanie, a professora da escola local que deseja viver uma grande paixão.

E a velha, que vê tudo.

Laurenç, talvez um pouco tolo, ou inconsequente, acaba se apaixonando por Stephanie. O problema é que ela é casada- e seu marido é o principal suspeito. Ou seria ele suspeito somente por ser marido da paixão do encarregado pela investigação?

Ninféias Negras, à principio, parece-se muito com romances policias mais clássicos, não Agatha Christie ou Connan Doyle, mas Ruth Rendell ou Mary Clark Higgins. Tudo parece girar em torno de um crime, com situações “redondinhas” acontecendo em função disso.

Ah, ledo engano. Sim, o autor nos engana completamente. Está tudo lá, mas nada é exatamente como parece e quando um determinado fato é finalmente revelado, só nos resta, pobres leitores, ficarmos de queixo caído! Juro, eu até voltei na leitura para conferir se não tinha deixado passar algo.
Me senti tão...tola.

Este é um daqueles livros para serem lidos com extrema atenção; todo detalhe é muito importante e a narração em vários pontos de vista nos dá a falsa sensação de estarmos a par de tudo. Além disso, através de uma narrativa clara e sem pedantismos, a história é conduzida quase como uma anedota. Contada sob vários pontos de vista. Ao final, não existem pontas soltas- e por mais que possa parecer em determinado momento, todo detalhe é explicado.
Mas NinFéias Negras não é apenas um livro de enredo , onde o mais importante é o mistério. Ao contrário de muitos romances policiais, o principal aqui são os personagens. São eles a razão de toda a história.

Apesar do início um pouco devagar, NinFéias Negras é uma leitura instigante e envolvente, onde a grande revelação (surpresa) talvez não seja o que as pessoas estão pensando.

Recomendo!

**Gentilmente cedido pela editora**
Título Original: Nymphéas Noires
Autor: Michel Bussi
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance Policial
Sub-Gênero/Assunto: Crime e Mistério, Homens da Lei, Suspense

Capa Original:


4.5/5

 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

sexta-feira, julho 29, 2016

[Resenha] O Bicho da Seda - Robert Galbraith


“Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa.
No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais. Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo.
E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...
Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor, O Bicho-da-Seda é o segundo livro desta aclamada série protagonizada por Cormoran Strike e pela sua jovem e determinada assistente Robin Ellacott.”



Uma série cada vez melhor.

Eu já tinha gostado de O Chamado do Cuco, mas foi somente com O Bicho da Seda que eu posso dizer, com absoluta convicção, que a série com certeza me fisgou. Se o primeiro livro me deixou com algumas dúvidas, este foi paixão na certa.

Em O Bicho da Seda, o autor soube narrar e tecer os fatos muito bem, mesclando com maestria os dramas dos personagens, os horrores dos fatos e aquela pitada de mistério com ares de livros de outrora. Impossível não se lembrar dos grandes detetives da literatura como Poirot e Sherlock, enquanto testemunhamos as desventuras de Cormoran Strike pelo mundo dos editores, livros e escritores.

Sim, porque é o mundo literário um dos grandes protagonistas de O Bicho da Seda. E um protagonista que não foi pintado com cores muito favoráveis. A partir do desaparecimento de um escrito excêntrico porém medíocre, com mais inimigos do que amigos, somos apresentados ao universo cheio de rancores e futilidades, aonde o talento nem sempre é o mais importante, e amizades são facilmente desfeitas. Com a ajuda cada vez mais sagaz de assistente, Robin, Cormoran pouco a pouco vai descobrindo como um simples caso de desaparecimento se torna algo muito mais complexo.

O Bicho da Seda é narrado de forma linear, mas nada simplista ou óbvio. É uma trama de tensão crescente, no qual o mistério vai surgindo no decorrer das páginas. Apesar de uma forte inspiração na literatura de detive mais clássica, o autor não se deteve apenas no lado “detetivesco” da história; assim, também podemos descobrir um pouco mais de Cormoran como pessoa e, claro, a presença cada vez mais atuante de Robin. Foi ótimo ver como ela cresceu como personagem e não é apenas mais uma coadjuvante à sombra do patrão.

Apesar de ser mais pautado no trabalho de detetive, o livro apresentada algumas cenas bem grotescas, mas apesar de causarem ojeriza, elas são partes cabais da história e não estão ali somente para “chocar”o leitor. É essa percepção que faz a diferença.

O Bicho da Seda é um livro de diálogos e a descrições precisas mas bem desenvolvidas; não é um thriller de consumo rápido. Muito pelo contrário, é um livro de leitura densa mas mesmo assim altamente envolvente. Assim que a gente começa não consegue parar de ler.

Eu só não dei 5 estrelinhas devido à alguns errinhos de grafia e ortografia/gramática.

Recomendo.


Série:

Livro 1- O Chamado do Cuco
Livro 2- O Bicho da Seda
Livro 3- Vocação para o mal

Título Original: The Silkworm
Autor: Robert Galbraith, J.K. Rowling
Editora: Rocco
Gênero: Romance Policial
Série: Cormoran Strike- Livro 2
Sub-Gênero/Assunto: Imperfeições, Crime e Mistério, Detetives, Escritores
Período: Atual. Londres, Inglaterra.

Outra Capa:



4.5/5

 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

segunda-feira, julho 25, 2016

[Resenha] Obsessão - Sandra Brown



“O telefone toca na casa do cirurgião Lee Howell em plena madrugada, após uma festa. Sua presença é requisitada após um grave acidente na estrada, com dezenas de feridos. O que acontece com ele logo em seguida, no estacionamento do Hospital Geral de Fort Worth, no Texas, dá início a uma trama repleta de suspense, violência e algumas generosas doses de erotismo. Rennie Newton, a cirurgiã que substitui o Dr. Howell num cargo de chefia no hospital, é vista como suspeita, embora nada se prove contra ela. Excelente profissional, atenciosa e responsável, a médica, no entanto, tem um passado que revela uma adolescência complicada. A autora mantém o passado da Dra. Newton como uma mancha em seu caráter por todo o livro, mas no final começa a revelar o que se esconde neste mistério tão bem guardado.”


Bom, mas poderia ser melhor. Bem melhor.

Sandra Brown é uma das poucas autoras que eu compro/leio um livros sem antes ler a sinopse mentira, eu sempre leio a sinopse antes, mas no caso dela, mesmo se sinopse não chamar muito a minha atenção, eu quero ler mesmo assim.) Por isso, mesmo com a medonha capa brasileira eu queria ler Obsessão. O livro tem aquela boa mistura de romance e suspense, mas deixou um leve sabor de decepção.

Como o próprio título já diz, Obsessão fala da fixação de Lozada, um assassino de aluguel, por Rennie Newton, uma jovem e bela médica. Rennie havia sido jurada em um julgado no qual Lozada era réu- e saiu livre. De uma forma um pouco (bastante) perturbada, ele passou a acreditar que os dois estavam destinados um ao outro. E ele faria tudo por ela. Até mesmo matar um rival do trabalho.

Wick Threadgill é um policial afastado da corporação que fez da missão de sua vida capturar o homem que matou seu irmão. Lozada. E a bela doutora é o melhor meio para esse fim.

Sabe aquele livro que tem bons elementos mas não consegue te prender? Foi o meu caso com Obsessão. Além da história em si não ter me prendido, achei o vilão muito ruim, beirando o ridículo, o que acabou por prejudicar o clima de tensão do livro. Lozada é descrito alguém desequilibrado, mal como o pica-pau, mas, pra mim, ele mais pareceu um vilãozinho barato de filme B. Não me causou tensão nem ódio- e a coleção de escorpiões vivos dele foi um toque no mínimo risível. Sorry, Sra. Brown, mas dessa vez não deu.

Eu até consegui suportar a mocinha, um tanto quanto chatinha pois o Wick é sim um herói romântico que se presa. Ogro com açúcar, sabem como é? O que eu gosto nos livros da Sandra Brown é que, apesar de qualquer defeito, ele nunca deixa o suspense de lado. E aqui não foi diferente. O romance de Wick e Rennie vai crescendo pouco a pouco, primeiro cercado de desconfianças e, depois, de tensão. Porém, em nenhum momento, a trama policial é deixa de lado. É ela a razão de ser do livro. E é por isso que eu gosto tanto da autora. Mesmo em livros não tão bons ela ainda consegue me cativar e ficar morrendo de curiosidade para saber como tudo vai acabar.

Apesar dos defeitos óbvios, a trama é bem construída. A autora soube usar bem o fato de já sabermos quem é o vilão e ir construindo o suspense- e a tensão a partir daí.

Se você nunca leu a autora, talvez esse não seja o melhor livro para se começar, porém, Sandra Brown é sempre recomendável. Romance e suspense na medida certa.



Título Original: The Crush
Autor: Sandra Brown
Editora: Rocco
Gênero: Suspense Romântico
Sub-Gênero/Assunto: Thriller, Suspense, Homens da Lei, Médicos
Período: Atual. Texas, EUA.
Capa Original:



3.5/5

 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

terça-feira, maio 17, 2016

[Resenha] A Mancha de Sangue - Asa Larsson

Dezoito meses após os acontecimentos descritos em Aurora Boreal, a advogada Rebecka Martinson ainda sofre com o trauma causado pela última investigação de assassinato. Porém, o escritório no qual trabalha recebe a missão de investigar a morte de uma pastora de uma igreja local e ela e seu colega Thorsten Karlsson partem para a cidadezinha. Chegando lá, porém, eles logo percebem que a líder religiosa foi brutalmente assassinada e a polícia local não consegue encontrar o criminoso. Mistérios, segredos e religião em uma trama reveladora e capaz de prender o leitor até a última página.



Não sei ao certo se gostei do livro ou se fiquei decepcionada. Provavelmente os dois.

Bem, antes de mais nada, é preciso voltar no tempo. Melhor dizendo, voltar ao primeiro livro da série, Aurora Boreal. Não, não vou soltar spoilers aqui, mas é bom dizer que é imprescindível ler o primeiro livro antes deste aqui. Não que as duas histórias- ou os dois mistérios- sejam continuação, mas o estado psicológico de Rebecka Martinson é. Tudo o que ela é, ou tudo o que ela está sentindo, é uma consequência do que aconteceu no primeiro livro.

A questão é que Rebecka NÃO é a personagem principal de A Mancha de Sangue. Sim, ela tem um papel essencial, mas na maioria do tempo é apenas uma espectadora. Anna-Maria, a investigadora, é quem conduz a trama, porém, o livro é mesmo da vítima, a pastora Mildred Nilsson. É ela quem vai pautar as ações, pensamentos e acontecimentos do livro. Tudo gira em torno dela.

O livro já começa com a morte de Mildred e logo vamos descobrindo que, apesar de ser uma pastora, ela não era a mais amada das pessoas. Nem a mais fácil. Como todo romance policial que se preze, todos parecem que tinham algo contra ela. Até mesmo quem gostava dela.

Assim como no primeiro livro (tem o link da minha resenha no final do post), senti dificuldade em ter empatia pelos personagens. Eu gostei que Rebecka não foi retratada como aquele tipo de heroína que passa por um trauma e nada sente, mas a melancolia dela começou a me irritar- e a Mildred, affe! Até eu fiquei com vontade de dar uns tapas na mulher.

Ao contrário de muitos livros do gênero, A Mancha de Sangue evolui de modo lento, com vários pontos de vista-e até mesmo a história de uma loba, que apesar de ter sido interessante, me pareceu mal aproveitada.
O que mais me chamou a atenção mesmo foi o personagem Nalle, um deficiente mental que passa a ter uma espécie de relação de amizade com Rebecka. É ali que está a beleza do livro, onde, pouco a pouco, o rapaz consegue “curar” a moça. Isto aliado à temas controversos como homossexualidade, religião e perda tornaram a trama bem interessante- mas mais no sentido de literatura dramática do que policial.

Em relação ao mistério em si, não foi algo totalmente desprovido nem surpreendente, mas o resultado foi lógico e foi de encontro com o que foi apresentado. O problema- o GRANDE- problema foi o final. Ou a falta dele. Sério, WTF foi aquilo?!

Em suma, A Mancha de Sangue foi uma leitura interessante, mas sem grandes brilhantismos e um final decepcionante. Não é um livro para todos os gostos, porém quem está a fim de ler algo diferente dos romances policiais usais é uma boa pedida.




A Série
Rebecka Martinsson
Livro 1- Aurora Boreal - editado pela Planeta
Livro 2- A Mancha de Sangue - editado pela Planeta
Livro 3- Svart Stig (The Black Path)Inédito no Brasil
Livro 4-Till dess din vrede upphör (Until Thy Wrath Be Past ) -Inédito no Brasil
Livro 5-Till offer åt Molok Inédito no Brasil e sem tradução em Inglês


Título Original: Till dess din vrede upphör
Autor: Asa Larsson
Editora: Planeta
Gênero: Romance Policial
Série:- Rebecka Martinson
Sub-Gênero/Assunto: Crime e Mistério, Homossexualidade, Homens da Lei
Período: Contemporâneo. Suécia.


Outra Capa:


3.5/5
 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

terça-feira, abril 12, 2016

[resenha] A Sombra da Lua - John Sandford

“Acostumado a assumir casos difíceis, o investigador do Departamento de Detenção Criminal de Minnesota Virgil Flowers é mandado a Bluestem, uma pequena cidade do interior, para ajudar a polícia local a solucionar um crime que chocou a população: um casal de idosos foi morto em sua residência com requintes de crueldade.

Ao chegar à cidade durante a madrugada, Virgil é surpreendido por um incêndio no alto de uma montanha. A casa do fazendeiro Bill Judd é consumida pelas chamas e seu proprietário morre sob os escombros.

Bill era um homem recluso e odiado. Há muitos anos, esteve à frente de um esquema fraudulento que levou centenas de fazendeiros à falência. Embora o dinheiro nunca tenha aparecido, ele foi julgado e absolvido. Além disso, seu envolvimento com várias mulheres casadas era de conhecimento de todos na região.

Virgil não acredita em coincidências e fica intrigado com a morte do fazendeiro. Afinal, a pacata Bluestem passou duas décadas sem um único crime e nas últimas semanas foi cenário de três homícidios.

Determinado a encontrar uma ligação entre os assassinatos, o investigador começa a conversar com os moradores e a descobrir seus segredos. Contudo, revirar o passado de uma pequena cidade pode trazer sérias consequências para um forasteiro”


Leitura rápida e envolvente.

Virgil Flowers é um investigador de polícia especializado em casos difíceis que tem como nova missão ajudar a polícia local de uma pequena cidade do interior com a investigação de um duplo assassinato. Virgil mal chega na cidade (aliáss, ele estava literalmente “chegando” ao local), quando outro crime, igualmente cruel, ocorre.
Assim como as vítimas anteriores, o assassinado neste novo homicídio também era uma pessoa de idade- e pior: não era exatamente uma pessoa amada pela cidade. Os dois casos poderiam até ser fatos isolados, se mais alguns pontos em comum entre as vítimas não começassem a aparecer- e, além do mais, quantos crimes bárbaros aquela pequena cidade teve até então?

Pois é.

A Sombra da Lua é o primeiro livro de uma série protagonizada por Virgil Flowers, um investigador policial de fala mansa e jeito tranquilo e aparentemente disperso mas que, na realidade, está muito ligado e prestando atenção no que está acontecendo.

Com uma trama passada numa cidade pequena- onde todos se conhecem, se amam ou se odeiam, A Sombra da Lua é aquele tipo de romance policial em que todos podem ser culpados- e nem tudo é o que parece. Não é um romance policial de grande inovação estética ou de gênero mas desde o princípio nos deixa com aquela sensação de querer saber mais, desvendar logo o mistério.

Apesar d’ eu, pessoalmente, não ter me apaixonado por ele, Virgil é um personagem interessante, cuja sagacidade e inteligência é um pouco desacreditada no início mas que aos poucos fui entendendo melhor o seu estilo. Eu gostei como ele se envolve com a cidade e seus cidadãos.

De ritmo intenso e fluido, a trama transcorre de forma bem desenvolvida, com os ganchos certos e fechamentos corretos.A história é interessante, com providenciais pequenas surpresas no decorrer do caminho.  É uma escrita envolvente, porém, pessoalmente, não gostei dos parágrafos curtos e dos “cortes” nas passagens de cena. Me deu a sensação de “picote”, uma falta de continuidade.

De qualquer forma, A Sombra da Lua é um livro dinâmico e, bem, muito legal. Quem gosta de um romance policial mais rápido, sem muitas novidades, mas que prende a atenção do início ao fim, deverá gostar!

E querem saber, fiquei com vontade de ler outros livros da série!

Vale muito a pena a leitura!

**Este livro foi gentilmente cedido pela editora**

Título Original: Dark of moon
Autor: John Sandford
Editora: Arqueiro
Série Virgil Flowers- Livro 1
Gênero: Romance Policial
Sub-Gênero/Assunto: Crime e Mistério, Homens da Lei
Período: Atual. EUA.

Outra Capa:


4/5

 photo Thais1_zpssfusghrx.gif

Share |