segunda-feira, julho 18, 2016

[Resenha] Flores Partidas - Karin Slaughter

“Quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la, Claire não acreditou. Dezoito anos depois, porém, tudo o que Claire achava saber sobre o marido se provou uma mentira. Quando vídeos escondidos no computador de Paul mostram uma face terrível do homem que ela julgava conhecer, Lydia percebe que o drama de sua família tem muitas camadas que precisarão ser descobertas antes que a assustadora verdade por fim venha à tona..”


Que livro. Que livro.

Ainda estou tentando “processar” tudo. Flores Partidas pode não ser uma leitura para todos, mas é, sem sombra de dúvida, um livro fantástico.

Lydia e Claire são duas irmãs que não se falam há 18 anos, desde que a primeira contou para a irmã que o cunhado, Paul havia tentado violentá-la. Claire ficou do lado do marido. Afinal, como confiar em Lydia, já que esta era uma drogada promíscua. Além disso, a família havia há muito se desintegrado desde o desaparecimento de Júlia, a mais velha das irmãs. 25 anos haviam se passado e aquele sumiço continuava a ser um mistério. Quando Paul de forma trágica, Claire, acaba descobrindo, por acaso, uma série de vídeos perturbadores.

Talvez Lydia tivesse falado a verdade. Talvez Paul não fosse quem Claire pensasse que ele fosse. Com o desaparecimento de uma jovem invadindo a mídia, velhas dores e lembranças parecem ainda mais atuais e Claire busca a ajuda da irmã para descobrir a verdade.

É isso. Só isso e nada pode ser dito. Flores Partidas não é um livro de mistério, mas desde o princípio a autora vai desencadeando surpresa atrás de surpresa. Choques, literalmente.

O livro fala sobre o universo sombrio do Snuff Porn e da Internet Oculta, onde vídeos de estupro e assassinato são produzidos e amplamente divulgados. É mostrado o lado mais feio e cruel do ser humano. Honestamente poucas vezes sente tanto ódio e ojeriza. É triste e repugnante. Flores Partidas mostra como a tragédia acaba não só a vítima mas com toda a sua família.

Intercalando a ação presente com as cartas do pai para a filha desaparecida, o livro nos faz  sentir na alma a dor daquele homem. É extremamente triste, mas também belo. Se eu pudesse, eu abraçaria aquele homem cuja vida simplesmente acabou no dia em que a filha desapareceu.

A ação se passa em poucos dias, horas, e isso dá um aspecto ainda mais desesperador à trama, fazendo com o leitor fique constantemente à flor da pele. Apesar de não existe uma violência gráfica, mas ela está lá, sempre presente e implacável. Por isso, a leitura talvez não indicada a todos. Eu mesma me senti incomodada em algumas passagens; uma sensação de mal estar.

Claire é uma mulher que vive uma vida quase perfeita. Rica e casada com um homem praticamente perfeito, ela criou para si uma bolha de felicidade e harmonia. É muito diferente de Lydia que, após anos de sexo e drogas, luta muito para cuidar da filha adolescente. São duas vidas completamente opostas- com personalidade bem diferentes, mas que em determinado momento é necessário olhar para trás. Não existe o perdão fácil, se é que ele existe.

Eu gostei muito como as duas personagens são desenvolvidas e como a força pode aparecer nos momentos mais desesperadores- e como é tentadora a vontade de desistir.

É um livro de leitura rápida, mas que devido ao tema eu senti a necessidade de dar “paradas”na leitura. Karin Slaughter sabe muito bem criar um ambiente de tensão. Com uma linguagem direta e muito envolvente, Flores Partidas tem um ritmo fluido e muito bem desenvolvido, com personagens complexos e soluções bem arquitetadas e nada fáceis.

O final me fez sentir aquele aperto doído no coração. Agridoce.

Recomendadíssimo!


OBS: A Garota dos Olhos Azuis é a prequel de Flores Partidas e conta as horas antes de Julia desaparecer. Apesar de ser uma prequel eu aconselho ler DEPOIS do livro. O conto pode ser baixado gratuitamente na Amazon.




Título Original: Pretty Girls
Autor: Karin Slaughter
Editora: Harper Collins Brasil
Gênero: Thriller
Sub-Gênero/Assunto: Suspense, Serial Killer
Período: Contemporâneo. Atlanta, EUA.
Outra Capa:



5/5
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